sábado, 17 de maio de 2014


#Série História Vivida
Anos 60

 

 

“... A “Guerrilha” da Serra do Mar..!”

 


                                      Nos anos 70, quando trabalhei no Matarazzo – Divisão Mineração em São Caetano do Sul-SP, nos divertíamos muito com um colega de trabalho que não tinha “visão de profundidade” e a “sacanagem” consistia em mostrar-lhe dois pontos distantes sobre o teto da fábrica e lhe perguntar qual dos dois estava mais próximo. As respostas eram sempre motivo de muita “gozação”, pois eram as mais disparatadas possíveis. Um dos colegas, que viajou com ele até a Fazenda Amália em Santa Rosa do Viterbo, próxima a Ribeirão Preto - SP, disse nunca ter passado tanto medo com as “ultrapassagens cinematográficas” presenciadas. Imagine só...
                                     Décadas atrás se dizia que o castigo vinha a cavalo. Já hoje em dia parece virem pilotando uma Ferrari, que vai de zero a cem quilômetros por hora em aproximados 4 segundos. Pois é, mais ou menos assim, me sinto hoje na tentativa de situar sobre uma linha do tempo passado fatos e memórias daqueles anos, ainda que hoje ouça falar muito de tal “alemão” (Alzheimer) naquele então insuspeito.
                                    
                                   A verdade é que o tempo nos “prega uma peça” depois de há muito decorrido. É como se aquele desenho em perspectiva dos fatos e lembranças, que guardavam sua posição cronológica em uma folha de papel, alguém rebeldemente desordenasse todos os seus pontos, traduzindo-os em um plano caótico. Misturamos músicas de décadas diferentes, ainda que saibamos que Elvis Presley e The Beatles sobreviveram a todas elas e musas do cinema, que contracenaram com Rock Hudson teriam namorado Paul Newman ou Robert Redford. Golpe de Mestre é inesquecível.

                                 Todas às 07h 00 das manhãs dos sábados dos anos 60 juntavam-se na Estação Julio Prestes, (antiga Sorocabana) um “batalhão de guerrilheiros” paramentados com mochilas, cinturão de cartuchos e facão de 20 polegadas, calçados de botas de cano alto, normalmente a Vulcabrás de borracha e suas cartucheiras e carabinas encapadas penduradas. Seu destino era o ramal Mairinque – Santos, (aquela mesma da música do Guilherme Arantes nos anos 70), que cortava o último contraforte praiano da Serra do Mar. Ainda hoje quem desce a Rodovia dos Imigrantes pode divisar uma linha descendente ainda existente na serra do outro lado do vale.
                              Nosso “aparelho” ficava, distante dois quilômetros, da Estação de Mãe Maria mata adentro, ou melhor serra abaixo e era uma “cabana de caça” feita de pau a pique e coberta de folhas de palmeira, (guaricanga). As camas eram feitas com cipó guaiambé e forradas de guaricanga. Flexível e macia. Para completar a mobília, um fogão à lenha construído com pedras e barro. Os “únicos luxos” eram a forração de papelão da cabana, a chapa de ferro do fogão e uma porta velha com corrente e cadeado trazidos da civilização.

                            No nosso rancho tínhamos uma plaquinha, que dizia: Todo caçador é mentiroso, exceto eu e você..., mas não estou seguro quanto a você! Nestes tempos em que caçar é “política e ambientalmente incorreto” vou poupá-los dos meus safaris e “contos de caçador”. A rigor pouquíssimo dano infringíamos à fauna, que à época já se extinguia: macucos, urus, tucanos, jacus, jacutingas, inhambus, porcos do mato e caititus, pacas e onças pintada e suçuarana (onça parda). Porém uma caça era garantida: o Palmito Jussara, que hoje está em extinção pelo extrativismo desordenado em toda a Mata Atlântica brasileira.
                             Muitos caçadores ou não, vão se lembrar de uma loja na Av. São João, O Gaúcho, aquela que tinha uma espingarda com canos recurvados para cima e era recomendada como “especial para caçar veados na curva”... Lojas de artigos de caça e pesca esportiva eram muitas na década de 60 e espalhavam-se por todo Centro e em especial nas Ruas Florêncio de Abreu, Mauá e Av. Rangel Pestana e São João: O Gaúcho, Loja Caça e Pesca, Casas Bayard, Casas Diana Paolucci, para mencionar as mais conhecidas. A grande atração, contudo, eram os discos que ensinavam o piar de aves de todo o Brasil e que ecoavam pelas calçadas durante o dia inteiro ininterruptamente.



                               Nessas lojas comprava-se cutelaria e armas tanto esportivas como de defesa pessoal, como carabinas Remington, URKO, Rossi e Winchester de vários calibres e espingardas de caça com cartucho, nacionais e importadas, inclusive as de repetição de calibre 12, que depois foram transformadas em temíveis escopetas. Revólveres e pistolas automáticas também eram disponíveis, exceto as de uso restrito militar, (9 mm e .45).
                               A caça era permitida, bem como a compra de armas e munições e as licenças de caça e porte de arma eram expedidas regularmente. Os processos de concessão de licença “de porte” eram extremamente desburocratizados e dependia exclusivamente da apresentação da Carteira de Identidade e Comprovante de Residência. No prazo máximo de 30 dias a licença estava expedida ou recusada, neste caso exclusivamente a quem tinha antecedentes policiais. O volume de munição comprado era totalmente livre e dependia exclusivamente do poder aquisitivo do cliente.

                                 Sempre fui cultor da inteligência e um entusiasta da “tecnologia de armas”, porque o ser humano para a autopreservação especializou-se principalmente “em matar” e por isso colocou nas “armas de destruição individual ou em massa” o “melhor da sua inteligência”. Nessa época “rolava livremente” o comércio de “armas pessoais” de todas e da última tecnologia, como armas pessoais automáticas da Colt (.45), Savage e Walther (9 mm) e até mesmo Luggers, (no Mercado Negro), além das Beretta (7.65 e 6.35) nas casas de arma, negociavam-se livre e fartamente. Tinha amigos, que possuíam algumas dessas armas e como disse sua munição era plenamente acessível.
                                  A pergunta que sempre me fiz: Por que a “guerrilha urbana” nunca se aproveitou desse fator e se tornou um movimento mais forte e atuante? É sabido que o Exército Brasileiro, pelo menos até 1967, quando começou a reaparelhar suas forças com fuzis FAO, (decorrente da participação brasileira na Força de Paz na República Dominicana e Canal de Suez nos anos de 1960/5), além da tropa mal treinada, equipava-se quase que basicamente de fuzis da II Grande Guerra, que muito pouca eficiência tinha e essas armas disponíveis no mercado, principalmente para “operações de guerrilha”, a elas fariam frente.
                                 Foi com a fuga do Capitão Carlos Lamarca em 1968, levando consigo 560 fuzis FAO do Quartel de Quitaúna, que a guerrilha efetivamente se equipou militarmente, mas já no ocaso dos “grupos guerrilheiros”, que foram dizimados rapidamente, quer pela repressão, quer pela fuga nas trocas com embaixadores. Mas foi principalmente após as mortes de Carlos Marighela em 1969 e de Carlos Lamarca em 1971, que foi praticamente extinta, pois eram os únicos líderes que efetivamente dominavam a “arte da guerra” e a “organização militar” de milícias.

                                  As ações mais ousadas da “guerrilha urbana” ocorreram com os assaltos a bancos, sequestro de embaixadores e os assassinatos do Almirante Nelson Fernandes no atentado no Aeroporto de Guararapes em Recife, (1966), do Capitão do Exército Americano Charles Chandler, (1968) e do empresário Henning Albert Boilesen, (1971).
                                  No tocante às “sublevações rurais”, como a Guerrilha do Caparaó, (1966/7) e a do Araguaia (1971/2) também houve fracasso, repetindo o de Che Guevara na Bolívia, (1966/7), bem como já havia fracassado no Brasil Francisco Julião e suas Ligas Camponesas, ainda antes do final do Governo Jango Goulart, pois não mobilizaram os “camponeses”. Tanto a “guerrilha urbana” quanto a “guerrilha rural” não apresentou caras novas, pois foram sempre estimuladas e patrocinadas pelos mesmos “velhos conhecidos” do PCB, que nunca conseguiram arrebatar nem o eleitor e nem a grande maioria da classe pensante formadora de opinião.

                                A única “novidade” da época da “esquerda brasileira” chamou-se Leonel Brizola, que graças à notoriedade conseguida desde a Campanha da Legalidade “forçando” a posse de Jango Goulart em 1961, colocou em marcha a estruturação do famoso G-11, (Grupo dos Onze) de tendência “esquerdista nacionalista”, porém não marxista. Foi sua atuação forte junto aos meios de comunicação da época, (rádio de ondas curtas), com ampla cobertura nacional, que provocou um “grande susto” nas hostes Castristas.
                              Uma “hipotética” força militar revolucionária distribuída por todo país, prontos para uma “revolução, que já estava madura” na avaliação de Brizola, mas que logo após 31 de março revelou-se um “blefe” com o desterro do “líder” no Uruguai. Acusou-se Brizola nesse incidente de haver “desaparecido” com 3 milhões de dólares vindos de Cuba, para o financiamento desse canal revolucionário.

                            Bem, é desnecessário falar que toda essa “movimentação política” não poderia deixar de encontrar ressonância na “juventude sessentista” brasileira. Em todo mundo havia jovens se manifestando, quer fosse aos USA, (Guerra do Vietnã, o Movimento Hippie e Woodstock), como na Primavera de Praga, (1968) e na Primavera de Paris, (1968). Como sempre é o entusiasmo juvenil, que paga o preço pelas ideias e ideais das “velhas raposas” políticas, que sempre estarão “onde sempre estiveram”... No Poder.

                          Silencio por um minuto meu clarim em memória dos “bravos jovens idealistas” desses “dourados anos de chumbo”...

 

Das vivências, percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – De algum lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania

 

 

 

 

segunda-feira, 12 de maio de 2014


#SOSEducacao -

 
“... Consideração...!”
 
 
 “... Quem fala com o instinto fala com a profundidade
do homem e encontra respostas prontas...!”.
 Amos Bronson Alcott

                                             A noite no sul, foi fria. A manhã, após uma chuva torrencial durante a noite, encontrou o sol com 20 graus. Esta foi uma forma de ter notado o dia de domingo começando. A outra foi uma espécie de falta de consideração. O dicionário classifica que respeito pode ser o que juntamente demonstra um sentimento positivo de estima por uma pessoa ou para uma coletividade e também ações especificas e condutas representativas daquela estima.
                                          Respeito também pode ser um sentimento específico de consideração pelas qualidades reais do respeitado. No meu caso um vizinho. Sim. Pois a outra forma de ser acordado foi a voz esganiçada (esganiçado -  adj. (part. de esganiçar). Diz-se da voz muito aguda ou estrídula), de minha vizinha, em volume consideravel, tentando falar com seu companheiro que “aquecia” o motor de seu veículo como se fosse “despejar” as válvulas pelo cano da descarga, (mesmo sendo moderno e com injeçao eletrônica,o que nao necessita desta antiga tradiação de aquecer o motor) ou fazer o óleo, literamente, após aquecido, “subir” e lubrificar as partes móveis do motor. Com o acompanhamento, quase sinfônico, de três quadrupedes latindo sem parar como se fosse para ajudar.
                                       Moral especifica, de respeito são de importância fundamental para muitas culturas. Respeito por tradições e autoridades legitimas são identificadas por Jonathan Haidt como um dos cinco valores morais fundamentais compartilhados para um maior ou menor por sociedades diferentes e indivíduos diferentes. Respeito não deve ser confundido com tolerância porque tolerância não diz necessariamente nenhum sentimento positivo, e não é compatível com desprezo, o contrário de respeito A palavra respeito vem do latim respicere que significa olhar para trás. Isso evoca a idéia de julgar alguma coisa em relação ao que foi feito quando é valoroso ser reconhecido. Além, a noção de respeito implica que pode ser aplicado para uma pessoa que fez algo certo, mas também para qualquer coisa afirmada no passado como uma promessa, a lei, e assim por diante.
                                         Mas, lembrei-me de meu escritor predileto, Rubem Alves, e vim para a parte predileta da casa: a cozinha. Acendi o fogão a lenha, assim como a lareira ou aquecimento elétricos, formas fundamentais de se manter uma qualidade de vida sustentável. Com o fogo alto, e as chaleiras “chiando”, preparei um ótimo café, passado é claro, e vim deleitar-me com as palavras. A leitura que me leva a lugares mais conscientemente e respeitavelmente civilizados, onde sem ser cerimonioso, certos “protocolos” naturais são mantidos.
                                       Sou, por definição, noturno, meu rendimento, trabalho, raciocínio parece funcionar muito melhor no silencio da noite. Nem por isso incomodo meus vizinhos, faço todos os meus ditos “prazeres”,em um certo silencio ruidoso, restrito as quatro paredes onde estou. Seja, escrevendo, lendo, assistinto a algo ou escutando músicas clássicas. E estas estao em volume apenas para meus sensiveis ouvidos e nao para uma “vizinhança” toda associar-se aos meus afazeres.
                                    Mas com o sol tomando conta do céu que se tornou azul (como de brigadeiro) e a delícia de um café passado, passei para o jornal e ver as noticias (as boas, que são poucas) como formas de começar a manha dominical com consideração. Mesmo  a partir de mim mesmo.
 
 
A propósito: O dicionário classifica consideração como s.f. Exame atento, reflexão: isto merece consideração. / Respeito, estima, valimento, importância que se dá a alguém. / — S.f.pl. Razões, arrazoado, exposição fundamentada. // Levar em consideração, levar em conta, dar importância.
                              Quem sabe, minha vizinha, no próximo domingo, ao deixar “seu” companheiro sair tão cedo, tenha um pouco mais disso, que parece estar em falta no mercado, que a propósito, fica a 20 metros de sua casa e esta na prateleira dos artigos gratuitos.
Afinal, mesmo por consideração, pensar ainda não dói...
 P.S.: – para meus amigos, amados, todos, por consideração, consideradissimos, boníssima semana e sem estresses primitivos.

 Entendimentos & Compreensões
Nossos Processos de Civilidade
Publicado no Site do Grupo Kasal – Vitória – ES
www.konvenios.com.br/articulista
Em São Paulo
www.pintores.famosos.com.br/artigos
Em São Paulo – Nos Diálogos do Caderno
www.cadernodeeducacao.com.br 
 
 
 

sábado, 10 de maio de 2014


"O Valor das Mães!”




“... Mãe compreende até o
que os filhos não dizem...!”

Ditado Judaico


Um jovem, de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de gerente de uma grande empresa.

Passou a primeira entrevista e o diretor fez-lhe a última, tomando a última decisão.
O diretor descobriu, através do currículo, que as suas realizações acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até à pesquisa da pós-graduação e não havia um só ano em que não tivesse sido classificado com a nota máxima.

O diretor perguntou:

 - "Teve alguma bolsa na escola?"

O jovem respondeu:

 - "Nenhuma".

— Foi o seu pai quem pagou seus estudos?
— O meu pai faleceu quando eu tinha apenas um ano, foi a minha mãe quem pagou as mensalidades.
— Onde trabalha a sua mãe?
— A minha mãe lava roupa.

O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as mãos. O jovem mostrou as suas mãos macias e perfeitas.
— Alguma vez ajudou a sua mãe a lavar roupa?
— Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa do que eu.

— Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltar para casa, lave as mãos da sua mãe e depois venha ver-me amanhã de manhã.

O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando chegou a casa pediu, feliz, à mãe que o deixasse limpar as suas mãos. A mãe achou estranho, estava feliz, mas com um misto de sentimentos e mostrou as mãos ao filho.

O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe  enquanto o fazia.
Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe estavam muito enrugadas e que tinham demasiadas contusões.
Algumas eram tão dolorosas que a mãe se queixava quando limpava com a água.

Esta era a primeira vez que o jovem percebia que aquelas mãos, que lavavam roupa todos os dias, lhe haviam pago os estudos.
As contusões nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, a excelência acadêmica e o seu futuro.
Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as restantes roupas por ela.

Nessa noite mãe e filho falaram por bastante tempo.
Na manhã seguinte o jovem foi ao gabinete do diretor.






O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou:


-  "Diga-me, o que fez e que aprendeu ontem em sua casa?"

— Eu lavei as mãos da minha mãe e ainda acabei de lavar a roupa que faltava.

— Por favor, diga-me o que sentiu.

— Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe não haveria um EU com êxito hoje.
 - Segundo, ao trabalhar e ajudar a minha mãe, só agora percebi a dificuldade e a dureza que é ter algo pronto.
 - Em terceiro, agora aprecio a importância e o valor de uma relação familiar.

— Isso é o que eu procuro num gerente. Quero recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas e uma pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida.

Está contratado.

Desde aí, o jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos seus subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e em equipa. O desempenho da empresa melhorou tremendamente.


Uma criança que seja protegida e que habitualmente tenha tudo o que quiser se desenvolverá mentalmente e sempre se colocará em primeiro. Ignorará os esforços dos seus pais e quando começar a trabalhar assumirá que todas as pessoas devem ouvi-la, e se se tornar gerente nunca saberá o sofrimento dos seus empregados e sempre culpará os outros.


Para este tipo de pessoas, que podem ser boas academicamente, podem ser bem sucedidas por um tempo, mas que eventualmente não sintam a sensação de objetivo atingido, sempre irá resmungar estar cheios de ódio e lutar por mais.

Se formos esse tipo de pais, estaremos realmente a mostrar amor ou a destruir o nosso filho?


Pode deixar o seu filho viver numa grande casa, comer boas refeições, aprender piano e ver televisão numa grande TV-plasma.

Mas quando for cortar a relva, por favor, deixe-o experimentar isso. Depois da refeição, deixe-o lavar o seu prato juntamente consigo ou com os irmãos. Deixe-o guardar os brinquedos e fazer a cama.

Isto não é por não ter dinheiro para contratar uma empregada, mas por querer amá-lo e ensiná-lo como deve de ser.

Quer que ele entenda que não interessa se os pais são ricos ou não, pois um dia ele irá envelhecer, tal como a mãe daquele jovem.


A coisa mais importante que os seus filhos devem entender é a apreciar o esforço e experiência da dificuldade e aprendizagem da habilidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.


Quais são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por mim?

 
Entendimentos & Compreensões
Com a colaboração, das percepções e pesquisas de minha amiga de alma,  Mestra Regilene Nascimento – Brasília – DF.
c
 

sábado, 3 de maio de 2014


Escritor e Amigo Toni Figueiredo
continua suas Histórias dos anos 60
na Sala de Protheus!

 
“... Anos 60...!”
– Não falávamos Esperanto...! –

 

                                          Falar daqueles tempos decorridos mais de 50 anos não é uma tarefa fácil, principalmente quando se tenta “colar figurinhas” no “álbum da memória” dos fatos e das lembranças vividas. É incrível como o tempo, a tinta de escrever a história, borra e confunde tudo: rostos, músicas, notícias e até mesmo “como pensávamos e vivíamos” então. Mas, me deu a natureza uma memória privilegiada e com isso uma aptidão mais destacada no estudo da história, fosse do Brasil ou a Universal.

                                        Essa curiosidade insaciável de compreender o ser humano dentro do seu tempo e espaço, com certeza era oriunda da minha própria necessidade de me entender, me situar, interagir e acompanhar a evolução do “meu tempo” não passivamente, pois sempre “atrevido e rebelde” jamais aceitei ser apenas um “produto padronizado” das circunstâncias e entorno.

                                      Desde o berço fui condenado a ser um “humanista” e não digo isso pelas minhas péssimas notas em Matemática, Química e Física, mas porque sempre achei que foi dentro de uma “geografia”, que se desenvolveu uma “história”. Já a tecnologia exata sempre buscou estratificar e tornar dominantes as sociedades humanas e essa inteligência, salvo raríssimas exceções, jamais foi utilizada para ensinar ou fazer a humanidade ser mais feliz. Viver para mim sempre foi a mais bela e a mais complexa das ciências.

                                    Bem, vamos ver o que a história da ocupação metropolitana de São Paulo nos ensina. Uma imagem me impressionou profundamente nos anos 90, quando levei minha filha a conhecer o Museu do Ipiranga, (a propósito ela é formada em História e é Arqueóloga), foi uma maquete da cidade em 1822, mostrando-a praticamente toda construída em taipa e com uma população de 25 mil habitantes, econômica e socialmente pobres, e que lembrava um desenvolvimento urbano semelhante ao usado em Portugal com inúmeras “freguesias” em seus limites rurais.

                                  Poderíamos para compor o mapa de a cidade oitocentista ampliá-la até novos limites. No Leste a Penha de França, caminho para o Rio de Janeiro e fundada como uma sesmaria do Sec. XVII. Ao Norte a Freguesia do Ó, caminho das bandeiras que rumavam à Minas Gerais, fundada pelo bandeirante Manoel Preto em 1680 e nomeada como Citeo do Jaragoá. Dentro dessa região ficava Santana, onde instalou-se numa fazenda a Família Andrada e onde acredita-se que José Bonifácio tenha redigido a Declaração do Dia do Fico. (Atual Rua Alfredo Pujol).

                                 Na região Oeste estava Ybytatá (Butantan) fundada em 1607 e que era a saída para as bandeiras com rumo a Mato Grosso. Na região Sul tinha Santo Amaro, que principiou como a Missão Jesuíta de Ybira-puera, ainda nos tempos de José de Anchieta e cujos domínios estendiam-se até Itapecerica da Serra e Mairinque, nos cumes da Serra do Mar.

                                 É importante observar que os espaços abertos desde o Centro da Vila até esses “pontos extremos” eram preenchidos por atividades rurais e extrativistas. Desde o plantio da cana de açúcar e da atividade leiteira e chacareira e muito importante, a pesca nos Rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí. Lembro-me do pai de um amigo que sustentava a família com belos dourados, piaparas e lambaris pescados nessas várzeas e lagoas em 1950. Inacreditáveis 65 anos atrás.

                                Somente com uma análise do ciclo imigratório no início do Sec. XX, em especial, poderemos entender como essa “vila” transformou-se numa “quatro centenária” metrópole em 1954 com 2 milhões de habitantes e como o preenchimento desse amplo espaço escreveu sua história. Só como referência, antes dessa “explosão imigratória” em 1900 a população da cidade era de 240 mil habitantes.

                          Ligo aqui o túnel do “meu” tempo para preencher o espaço entre Santana e Penha de França na Zona Norte. A Vila Maria da minha infância, (colonizada a partir de 1914), no início dos anos 50 tinha sotaque português e lá viviam muitos “milionários da correia”, como eram chamados os cobradores de bonde da Light, (no meu tempo CMTC) e que cobravam 2 passagens para a empresa e uma para o próprio bolso. Todos então éramos “pingentes” dos bondes 34, (Vila Maria) e 67, (Alto da Vila Maria). Aliás foi em um uniforme de “cobrador/motorneiro” da CMTC, que Jânio Quadros candidatou-se a “pai dos pobres” municipais em 1952.
 
 
                        Essa façanha deveu-se principalmente ao fato de a Vila haver adquirido sotaque nordestino a partir dos anos 50. Era em frente à Igreja da Candelária, que estacionavam os “paus de arara” oriundos do Nordeste e ali se descarregavam cocos, papagaios e “baianos”, (como genericamente os chamávamos em São Paulo).

                       Esses migrantes alojavam-se nos morros do Alto da Vila Maria até a divisa com Guarulhos, além de São Miguel e Itaim Paulista. Esta foi com certeza, quantitativamente, a maior migração, que se destinou a São Paulo e de grande relevância na construção da cidade, pois representava “mão de obra barata”.

                      Já as colônias mais tradicionalmente “comerciantes” como a portuguesa instalou-se em todas as partes onde novos núcleos habitacionais surgiam dedicando-se ao ramo de bares, padarias e empórios. Os “turcos”, (quando pobres libaneses e quando ricos sírios), instalaram-se nos bairros do Bom Retiro, Paraíso, Cerqueira Cesar, Vila Mariana, (Zonas próximas ao Centro), Ipiranga (Zona Sudeste) e Lapa, (Zona Oeste).

                      Os judeus instalaram-se no Bom Retiro, Higienópolis e Jardins, (Zonas próximas ao Centro). Os chineses na Liberdade, (Centro) e os japoneses nos bairros de Cangaiba, Vila Carrão, Itaquera, (Zona Leste), Vila Brasilândia, (Zona Norte), Jardim da Saúde, (Zona Sudeste) e Liberdade, (Centro).

                       Outro fluxo migratório de menor monta, os alemães, instalaram-se em zonas mais frias da Capital como Alto da Boa Vista, Campo Belo, Moema, Santo Amaro, Saúde, (Zona Sul), Alto de Santana, (Zona Norte). Alto de Pinheiros e Jaguaré, (Zona Oeste).

                      Sem dúvidas foi o processo de industrialização ocorrido na cidade o responsável por essa imigração maciça do início do Sec. XX nas florescentes várzeas industriais paulistanas e do início da mobilização política do operariado. Não por acaso, esse início de doutrinação ocorreu após imigrações em tempos de repressão na Europa, principalmente da Itália Fascista e da Espanha Franquista e assim comunistas/socialistas e anarquistas refugiaram-se no Brasil.

                      O “grosso” instalou-se nas cercanias dessas fábricas e foram as maiores tributárias desse grupo. Os espanhóis concentraram-se mais nos bairros de Ipiranga (Zona Sudeste), Lapa (Zona Oeste) e Pari. Os italianos nos bairros da Barra Funda, Bixiga, Bom Retiro e Pari, (Zonas Próximas ao Centro, Ipiranga, Vila Prudente Zona Sudeste), Pinheiros, Pompéia, (Zona Oeste), Quarta Parada, Tatuapé, Vila Carrão, Belenzinho, Brás e Mooca, (Zona Leste).

                      Em 1943 para atender esse adensamento urbano/industrial foi inaugurada a Escola Técnica Antárctica, (hoje ET Walter Belian - Fundação Zerrener da AMBEV), precedente a iniciativa da CNI na instituição dos ´SENAI’ s e que foi a pioneira no ensino técnico na cidade, sendo uma referência de “excelência na formação profissional” para alunos das classes mais baixas.

                     Inicialmente instalada no bairro da Água Branca, no Parque Antarctica, em uma área de lazer construída pela Antarctica Paulista em 1921 para seus empregados, foi comprada e lá se construiu o antigo estádio do Palmeiras. Em 1948 e escola mudou-se para o bairro do Cambuci. Porém esta é outra história dentro da história do desenvolvimento industrial paulistano.

                    Foram certamente essas correntes imigratórias e o desenvolvimento educacional de seus descendentes, principalmente nos anos 60, que muito contribuiu para o “momento político” de 1964. Como esquecer os Ferrarini, os Gonzalez, os Pereira, os Goldstein, os Hellriegel e os Abdalla sentados nos bancos escolares vizinhos.

                    A História escrita na nossa memória admite hoje interpretações diferentes decorridos todos estes 50 anos, mas as pessoas e suas ações são o “que foram” e não o que este momento torna mais conveniente “escrever ter sido”.
                     A História é também sempre um momento de saudades em folhas de papel amarelado e suas tintas desbotadas...

 

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania
 

 

quarta-feira, 30 de abril de 2014


Da Sabedoria do Escritor e Amigo Toni Figueiredo
Especial da Sala de Protheus!

 

“... Dê-Me A Honra...!”

 

 
“... A maneira mais fácil e mais segura
de vivermos honradamente,
consiste em sermos, na realidade,
o que parecemos ser...!”.

 

Sócrates

                      Há 40 anos o amigo Rogério Gallupo, que era Promotor de Justiça, mas que nas hostes rotaryanas do BH-SERRA tinha fama de ser um “grande promotor de bagunça”, contava uma história folclórica dos antepassados de Ivo Pitanguy na sua Curvelo-MG. O velho avô numa das muitas brigas domésticas do casal disse a sua mulher: “Quando te conheci v0cê era bonitinha e usava um vestidinho de chita barato e debaixo dele uma “honrazinha” muito da duvidosa”.
Ao contrário do que muita gente pensa, a honra não é uma virtude, mas tão simplesmente, “um louvar”, “um homenagear”, ou seja, é um “ato de respeito” à tradição ou a um passado individual ou coletivo.

Assim, “honrar” pode ser tanto para o que é bom, quanto ao que é ruim. Na antiguidade, (hoje também), existiam famílias que viviam do roubo nas estradas, (hoje dos cofres públicos) e com certeza a nova geração que se dedicava ao mesmo fim, estaria “honrando os antepassados”.
Roubar é também um ato. O “ato de subtrair” algo material existente e até mesmo um “bem imaterial futuro”.

Rouba-se dinheiro, ouro, prata, esperanças, direitos e etc. Roubou Caim, roubou Jacó, roubam as megapotências ao impedir aos “menos desenvolvidos” o seu direito à autodeterminação, como rouba o vereador daquele municipiozinho “prá lá de Deus me livre” a verba da merenda escolar e da educação.
Talvez não exista assunto de maior discussão e repercussão do que esse no Brasil. Alguns comprovados, outros suspeitos e outros ainda apenas imputados sem prova e nestes rouba-se a “verdade”.
Com todos nivelados por baixo é mais fácil fazer política e já que todos roubam, qualquer um que for eleito fará exatamente o que dele se espera: roubará. Existem os que “rouba, mas faz” e existem aqueles que apenas roubam sem qualquer retribuição. Entre políticos apenas o “furto” é proibido... Coisa de gentalha de periferia.

Há 60 anos falava-se da meia dúzia de chevrolets do Adhemar, depois, a 50 anos, de alguns hectares do Lupion, até que entrou em cena o Maluf nos anos 70 e ai começou a se falar em milhões... De dólares.
 Hoje quem falar em menos de bilhões, é expulso da rodinha. Nunca dantes na história deste país o escárnio foi tão grande e o assalto aos cofres públicos tão intensos e não me refiro exclusivamente aos cofres federais. E pensar que se gastou uma revolução com isso. Parece que só serviu como um fermento retardado e fortalecido.

O que mais me causa espanto é que o Brasil tem uma das instituições mais bem aparelhadas do mundo para controlar esses fluxos financeiros ilegais. A Receita Federal do Brasil, graças ao nosso histórico de enriquecimentos ilícitos, transferências milionárias de recursos ilegais, sonegação fiscal, corrupção endêmica e sinais de riqueza aparente através do COAFI e das DECLARAÇÕES DE RENDA tem como rastrear tudo isso.
 
 
Todos os anos são milhares de “contribuintes espertinhos”, que acabam retidos na “malha fina”, o que quer dizer que a rede do Ministério da Fazenda é feita para pegar só “lambaris”, que nadam em águas rasas da superfície, enquanto os “peixes grandes” que nadam nas profundezas dos cofres públicos escapam dessa malha.
A forma de justiça mais urgente dos tempos de hoje é que todos tenham tratamento igual nos maus feitos financeiros e vejamos respeitado nosso dinheiro arduamente ganho e “entregue” em impostos.

Afinal o dinheiro é a mola propulsora de tudo, inclusive da miséria.
Quero ver “peixe velho e grande enrolado em jornal novo”.

Para meu admirado amigo Antônio Figueiredo... Pensar não dói!
E você?

 

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania