sábado, 7 de março de 2015

Da série
#PensarNaoDoi:

 Onde Estão os Homens do Brasil?
 “... A preguiça é a mãe do progresso.
Se o homem não tivesse preguiça de caminhar,
não teria inventado a roda...!”

 Do poetinha gaúcho Mário Quintana

                      Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, também chamado de naturalista, viveu em cerca de 500 aC, costumava dizer: Para Deus tudo é belo e bom e justo; os homens, contudo, julgam umas coisas injustas e outras justas."
“Este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente  vivo, que se acende com medida e se apaga com medida”-.
                    Neste aforismo muitos dos estudiosos filosóficos veem uma das chaves para a decifração ou ao menos o entendimento deste pensador que na antiguidade tornou-se conhecido como o “obscuro”.
Mas o que é realmente obscuro?
                              Este adjetivo, colocado em nossa amada Língua Portuguesa Brasilesa revela apenas o que está sem luz, o que denota tristeza; sombrio, tenebroso.
3                            Mas querem mais tenebroso do que a ausência de verdadeiros homens em nosso país? Não falo no gênero e sim no aspecto de homens com H, sim maiúsculo, para o trato da liderança. Para conduzir um povo ao seu desenvolvimento principalmente nos aspectos educacionais e culturais.
                           Desde a antiguidade, os grandes lideres preocupavam-se em deixar seu povo cada vez mais culto, mais educado, pois sabiam que com este discernimento seria mais fácil gerenciar ou governar. Pois seus argumentos, todos, seriam de fácil compreensibilidade.
                                   Falo de grandes homens que deixaram legados em várias partes do mundo. Não pelas guerras que ganharam... Não pelos troféus e riquezas que acumularam e levaram para suas casas. Não destes.
                                Falo de homens-deuses, que conseguiram verdadeiros impérios exatamente por educarem disciplinadamente e aculturarem de tal forma todos ao seu redor que levaram seus reinados (ou países) por milênios. As guerras, à época, faziam parte? Sim.
                              Hoje também. Sem armas. Mas com armas muito mais mortais que as lanças e espadas de Atenas, Esparta. Macedônia, Egito.. Deixo Roma de fora, pois foi um estado meramente conquistador.. Acumulador.. Deles ainda temos, geneticamente, cerca de 85% da formação inclusive de nossa raiz linguística,  o Latim, a Última Flor do Lácio que com os 15% restantes do grego a formaram e dela derivou-se a nossa amada, bela e inculta  Língua Portuguesa Brasilesa.
 
                                           Mas e politicamente? Cadê nossos grandes homens? Não existem?
1                                                                      Sim. Afirmo. Atualmente não temos estes grandes homens. Ao menos na política nenhum exemplo passa da nota 2 – de 1 a 10 -.
1                                      Temos grandes homens em várias partes de nossa cultura: Na pesquisa, nas artes, nas escritas, principalmente escritores regionalistas que poucos conhecem em todo o Brasil, mas são reconhecidos lá fora. E em outras áreas também.
1                                                              Mas na política não. Nesta área tanto no congresso como na justiça,  nas assembleias todos derivados de nossas comuns e paupérrimas Câmeras de vereadores. Sim somos lá em cima no comando, exatamente o que somos aqui embaixo. Uma escória sem educação, com um mínimo de cultura, que permite a manipulação de verdadeiros “coronéis” como se tivéssemos tirado de romances do início do século passado. Deram-lhes novos nomes, adjetivaram-nos diferentemente. Apenas isso. Nada mais... Triste.
                                               Busco um exemplo de Warren Bennis quando afirmou: “... Bons líderes fazem as pessoas sentir que elas estão no centro das coisas, e não na periferia. Cada um sente que ele ou ela faz a diferença para o sucesso da organização. Quando isso acontece, as pessoas se sentem centradas e isso dá sentido ao seu trabalho...!”.
                         Ainda passamos por momentos turbulentos em todas as áreas em nosso país por conta de corruptos e corruptores (ainda escrevo na velha ortografia estas palavras para não haver confusão e não parecer pretensioso, mas eis que ocorro em erro por amar muito minha amada língua pátria, visto que as letras mudas desapareceram).
                     Vi nas ditas redes sociais, a pergunta e muita gente respondendo: Qual é o pior: o corrupto ou o corruptor? As respostas vinham automaticamente como se ninguém tivesse a mínima noção do que estavam falando. Tudo respondido sem um pingo de pensamento puro.
                       Eis no que nos transformamos. Geneticamente em nosso sistema evolutivo, fomos feitos para sermos liderados. Precisamos de um líder. Mas neste tempo dito “evolutivo” também aprendemos a discernir sobre o que é um bom líder.
                       Agora quando o assunto é o impedimento da presidência (ainda preferem utilizar um estrangeirismo como impeachment – pobres seres desprovidos de educação e instrução mais profundos), simplesmente as respostas saem em profusão. Quem grita mais alto, leva a “turba”, Nem ao menos pensam que em caso de impedimento da presidência, devemos seguir a nossa Carta Maior, nosso conjunto legal de regramentos – Nossa Constituição Federal – Nossa bíblia cidadã. Esquecem todos que no impedimento da presidência quem assume imediatamente?
                              Em caso de impedimento deste assume a presidência da Câmara dos Deputados... Em caso de também haver impedimento deste assumirá a presidência do Senado; e depois o Dirigente maior do Supremo Tribunal Federal.
Simples assim.
                           E agora você quer realmente o impedimento? Ou precisamos de uma Intervenção Constitucional e rediscutir todas as regras de uma grande sociedade como o Brasil? Como se fosse uma reunião de uma grande família que precisa por “ordem na casa”?
                       Você escolhe. Mas não se esqueça. Você também será responsável pelas consequências de tuas escolhas
                       Temos grandes líderes no Brasil atualmente para um ato destes? Não. Absolutamente não.
Então por amor aos seus filhos... Aos jovens que esperam um pouco mais de nós daquilo que estamos fazendo... Por favor, pense bem antes de cometer qualquer erro que poderá custar a vida de seu filho... E a vida de uma nação inteira.
 Você decide. Simples...
Pensar não dói.. Mas tomar uma decisão que afeta todo um pais poderá causar tantas dores que são inimagináveis.
Deixo-lhes para o pensamento:
  "Todos os grandes sonhos de poder de homens até hoje os levou ao precipício engolido por suas paixões tolas."
Pense Brasil... Boa sorte!
 
 
Entendimentos & Compreensões
  Leituras & Pensamentos da Madrugada
  Visões de um País a beira do Colapso.
 
 
 


 

quarta-feira, 4 de março de 2015

As histórias vividas do
escritor Antônio Figueiredo
na Sala de Protheus:

Estica e Puxa...
Ouvi dizer que o tempo não volta atrás
Já tentei de tudo, mas no fundo sei que não sou capaz É tão difícil aceitar esta visão
Estou tão cego não consigo achar a solução
Acordar do sonho Olhar pro futuro
Acordar e esticar a corda
Não me diga que não está na hora
Não sei se fico ou se vou embora
Só quero um rumo para esta história



4 Taste – Esticar a Corda!

                              As pessoas que habitualmente me leem já estão acostumadas com um trecho de música sempre abrindo a crônica e isso só vem comprovar que os poetas e bardos sempre foram e continuam sendo cronistas pontuais do que vai pela boca do povo. Em especial quando o tempo é de “exceção ou turbulência política” as letras de música tornam-se “mensagens cifradas” da insatisfação ou dos “propósitos resistentes”, que permeia o sentimento popular.
                            Os contemporâneos do Movimento de 1964 hão de se lembrar de dezenas de músicas Chico Buarque, Gonzaguinha, Edu Lobo, Vinicius de Morais, Carlos Lira, João do Vale, Sérgio Ricardo, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros autores falando de “privação”, “resistência” e até “contrarrevolução” impessoalmente contra um conhecido “inimigo imaginário”.
                       
                               Bem, naqueles tempos o “confronto ideológico” era indireto e sub-reptício. Como se diz na Bahia, desde sempre, que duro com duro não faz bom muro e “naqueles tempos”, no Brasil todo, quem tem “cu” tem medo. Estamos com Figueiredo, o do “prendo e arrebento”, para quem se interpusesse ao Processo de Redemocratização e com isso paradoxalmente constatarmos, que até a Democracia pode ser imposta por “ato de força”.
                               Fruto de exercício permanente e da luta de muitos a Democracia no Brasil de hoje é sinônimo de “elasticidade”, tanta é a sua capacidade de “esticar e puxar” e assim dentro dela abrigar pontos de vista e opiniões tão polares. Extremismos à direita e à Esquerda tem conceitos admitidos e abrangidos nela. Afinal a Democracia implica em “respeito a todos”, inclusive às “minorias barulhentas”. Conceitos sim, mas atos não.
                               Entretanto, o “estica e puxa” que tanto acrescentou em “tolerância” ao nosso desenvolvimento democrático, livrando-nos de “tensões desnecessárias”, que no passado tantos golpes políticos aos “donos da cidadania” ensejaram, hoje toma características de “elástico frouxo” e com isso a noção exata da “medida do democraticamente permitido”.
                             O Chuí dista da fronteira de Roraima com a Guiana, aproximados, 4.400 km e Recife do Extremo Oeste Amazônico, outros, 4.300 km.
                                Quanta “injustiça e disparidade social” com milhares de diferentes graus de carência e emergência cabem dentro deste “continente” chamado Brasil, mas que em sua grande maioria não encontra reconhecimento e retumbância nacional e por não formar “eco eleitoral” está omissamente deixada à “Bolsa Família pagará”.
                                Essas realidades são conhecidas desde que o Marechal Rondon esquadrinhou a Amazônia e durante os Governos Militares o Projeto Rondon encheu de universitários o Norte e Nordeste, em primeiro lugar para que eles conhecessem as diferentes “realidades regionais”, mas também para que o Governo planejasse suas “ações sociais”.
                             Era o tempo do Milagre Brasileiro, que começou em 1970 e podíamos nos permitir “esses luxos” de fazer “obras de interiorização” do porte da Perimetral Norte, Transamazônica, Tucuruí, Sobradinho e muitas outras. Já era um “princípio” no trato das diferenças, mas que teve “morte prematura” já em 1974. Não tínhamos petróleo e nem “legalidade democrática” e o “milagre” virou charlatanismo e com isso patinamos por 20 anos até o Plano Real.
                             Jamais considerei qualquer realização de qualquer Governo uma vitória pessoal de qualquer político. Eles são eleitos para essa finalidade e não estão mais do que cumprindo a obrigação do “mandato popular” outorgado, segundo suas promessas de “realização das aspirações” de todos os cidadãos.
                              No caso do Plano Real, foi a lição de casa “bem feita” pelos que já haviam fracassado antes ao entender que a Lei da Oferta e da Procura é a única que “regula” o Mercado. A sociedade apoiou porque se cansou de medidas populistas e casuísticas de ajuste e “nuncadantesnahistóriadestepais” o brasileiro viu a sua moeda tão respeitada e essa conquista credita-se à sociedade como uma “nação”.
                               De maneira idêntica tem respondido a sociedade ao “crescente esforço fiscal” nestes últimos 30 anos, que, entretanto em quase nada tem sido útil para a “inclusão” dos “eternos excluídos”, pois que os Governos irresponsavelmente além de “gastar” esse “suor extra”, ainda têm gastado crescentemente pelo aumento da Dívida Pública.
                            E é esse “saco sem fundo”, que vem testando não apenas a “confiança nas instituições” por parte da sociedade, mas principalmente a nossa paciente capacidade contributiva, mormente pela constatação de que nestes últimos anos essa capacidade destina-se alimentar uma “cadeia de malversação” do “dinheiro público” honestamente ganho pelo contribuinte.
                              Aquilo que foi uma tentativa frustrada nos anos 60 de organização de movimentos sociais mantidos pelo dinheiro público, (Ligas Camponesas e Grupos dos Onze) o que sempre foi uma prática dos “partidos comunistas” na montagem de um “exército partidário”, (os bate-paus), consolidou-se nos Governos do PT de 2003 até os dias de hoje. E aí está um “ex-presidente” chamando às ruas o “exército do Stédile” para a manutenção de um “projeto de poder”, que evidentemente se desfaz em nacos apodrecidos de carne corrompida.
                              O que o PT e sua “Nomenklatura” talvez não tenham se dado conta, é que a mesma barreira, a qual impede que o Brasil marche celeremente para a sua integração social justa e igualitária é a mesma que não permitirá a confirmação de um “poder totalitário” dominante. Seu imenso território, habitado por uma imensa e diversificada realidade social e econômica.
                             O “Bolsa Família”, ainda que reúna um “exército de desassistidos”, não é um “movimento social” organizado, que pese e influencie rumos. É tão simplesmente um “exército irregular” disperso e sem líderes. Faltou “inteligência estratégica” ao PT, que optou por “movimentos sociais” agitadores para pressionar os “grandes e mais desenvolvidos centros”, exclusivamente.
                              Basta analisar o peso da atuação e influência do MST no Norte e Nordeste e do MTST fora do “eixo São Paulo x Rio”, como também o da “liderança partidária”, que exerce o PT nessas regiões.
                              Entretanto, este não é apenas o grande desafio de organização política que enfrenta um “esquema de Poder”, mas a própria organização política, partidária e institucional, que enfrenta o Brasil e a razão desses “estica e puxa”, que enfrentamos desde a Independência. O desafio segue sendo a “construção” de uma Nação pra valer.
                             O que crescentemente vem mudando o Brasil é o reconhecimento dessa multiplicidade de caracteres, com “classes específicas” de Nordestinos, Nortistas e os do Centro Oeste reconhecendo “identidades equivalentes” no Sul e o Sudeste, que enfrentam iguais problemas. O Sul-Sudeste vem deixando progressivamente de ser o “explorador” de regiões menos favorecidas. Todas as regiões têm sido “exploradas” nas suas expectativas, igualmente.
                                   Já houve tempo em que o PT era a “salvação do Brasil”. Bastou-lhe 12 anos de poder para instalar-se o “Brasil do salve-se, quem puder”...
Evoluímos...
                                  A questão hoje é saber se ainda há espaço para esticar, ou se já é hora de puxar...
                               A Democracia é elástica, até o ponto em que se rompe. Daí prá frente, ninguém quer pagar para ver.

 
Entendimentos & Compreensões
Antônio Figueiredo –
Escritor & Articulista –
São Paulo – SP
 

 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Quando Você Olha, O Que Vê?
 “...A única maneira, portanto, de se chegar à verdade, é aprender como enxergar diretamente, como deixar de
lado a intermediação da mente. Essa interferência é o problema, porque a mente só é capaz de criar sonhos...”
Osho, Tarô Zen, carta “Projeções”.

                               As palavras do Osho nunca me pareceram tão atuais. O que sou eu... Onde começa o outro? O que é real ou projetado parece estar ficando mais e mais difuso, em um mundo em que as regras sociais, criadas para uma época completamente diferente, caíram em desuso como as palavras mais longas, feitas para escritos que não cabem em 140 caracteres.
                            A leitura verticalizada, típica de hoje, faz com que o mesmo texto seja entendido de tantas maneiras diferentes que fiquei pensando; e se as relações afetivas estiverem passando pelo mesmo fenômeno? E se a diplomacia mundial for lida e interpretada com a mesma “verticalização” apressada?
                             Estamos realmente vendo o que nos cerca e interagindo com esse ambiente, ou lidando com nossas projeções e medos, colocando quem atravessa nosso caminho na ingrata condição de saco de pancadas de nossas frustrações mais profundas?
                            Será o Brasil de hoje o resultado de uma projeção coletiva, de um povo que viu o que esperava encontrar em um grupo político que jamais escondeu sua real intenção de se locupletar?
                           Há alguns anos, durante meses, eu fui só cabeça. Um dia após operar o ombro esquerdo, caí da escada de casa e explodi a perna direita. Fiquei, seis meses, imobilizada e mais seis em cadeira de rodas. Essa experiência, tão intensa, me proporcionou algumas lições preciosas.
                           Por cerca de um ano fui invisível e percebi que a maior parte das pessoas que conhecia não via a mim, mas projeções minhas, todas elas em pé. Cheguei a passar ao lado de amigos que conviviam comigo há mais de vinte anos e que sequer me olharam. Foi quando entendi que, durante tanto tempo, nenhum deles realmente me conhecia em essência, apenas projetavam em mim a imagem que achavam que eu deveria ter.
                         Descobri o mundo dos cadeirantes que ninguém cumprimenta ou olha, vi como são solidários, como sempre falam um com os outros, senti falta deles quando voltei a andar e passaram a me ignorar, como se os houvesse traído.
                          Voltei o foco para dentro e percebi que não era melhor do que ninguém. Foi doloroso rever quantas vezes projetei em um homem amado uma frustração que era minha; ou em um filho, um medo ou esperança que me pertencia. Até hoje luto comigo mesma para impedir que esse véu volte a turvar minha visão, quero enxergar meus filhos, não eu mesma, sempre que olhar para eles.
                            Acho que esse processo não atinge só a mim, infelizmente. Penso que, na maior parte do tempo, mesmo quando acreditamos estar socializando, nos apaixonando, ou observando o mundo, todos estamos lidando com nossas projeções, em uma imensa viagem do ego. Ao não enxergar o outro sinto que estamos cada vez mais egoístas, menos solidários e tolerantes, com uma capacidade a cada dia mais reduzida de empatia com o sofrimento alheio.
                           Sei que esse texto talvez não agrade tanto quanto os anteriores. Não tem fadinhas dançando ao pôr-do-sol, está cheio de interrogações que não pude responder. Como diz uma tia muito amada, “vão desculpando”. Escrever também é dividir inquietações e dúvidas.
                             Acredito que a cada encarnação trazemos desafios pessoais e intransferíveis, as respostas, portanto, também o são. Posso compartilhar apenas o que faço para combater minhas projeções: olho muito o outro, sempre. Procuro ouvir com cuidado o que diz e tento fazer a ele apenas o que gostaria que me fizesse. Vem dando certo... Para mim.
                           Talvez a melhor resposta sobre o assunto ainda esteja com o final da carta do tarô do Osho:
“...Com a ajuda do seu entusiasmo, o sonho começa a parecer realidade. Quando o entusiasmo é demasiado, então você está intoxicado, não está na posse dos seus sentidos. Nessa condição, o que quer que você enxergue será apenas uma projeção sua. E existem tantos mundos quanto mentes, porque cada mente vive no seu próprio mundo”.

 
Das Crônicas de Uma Vida
E Sentimentos de Beatriz Ramos
Jornalista & Cronista
Brasília – DF-

 

domingo, 1 de março de 2015


Brincando de Faz de Conta...
- Realidade Brasilesa -
“... Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar
com o que eu sou:
Viver não é necessário;
o que é necessário é criar...!”
 Fernando Pessoa

                                              O que está havendo com as pessoas?
                                              A frase, em forma de pergunta, óbvio, veio-me através de uma correspondência eletrônica de um amigo.
                                              O universo das respostas à que este questionamento requer é tão vasto e gigantesco quanto à própria ignorância humana a cerca dela mesma.
Porém como sabia que se referia ao Brasil atual, e as ditas “conversas”, nas não menos “ditas”, redes sociais, ficou mais fácil.
Até hoje não sei o motivo de serem chamadas de “redes sociais”. De sociabilizar? Duvido. Estão muito longe. Penso que é para e apenas terem um nome.
                                              Tudo é um faz de conta. Exatamente como na vida real. Aqui fora do mundo digital da tal de rede mundial de computadores. Como?
Simples. Lembram-se das brincadeiras infantis do “faz-de-conta”? –sim, mesmo na nova ortografia ainda usa-se o hífen -.
                                                As chamadas “redes sociais” são exatamente iguais, Alguém faz de conta que é ... Outro também faz de conta que é... E assim vestindo-se de alter egos, ou de “figuras” até “herois imaginários” com seus “selfs” (Numa acepção geral, entende-se por self aquilo que define a pessoa na sua individualidade e subjetividade, isto é, a sua essência...). Portanto cuidado com a imagem que você coloca.
Mas voltando. Notaram por exemplo no Twitter, que em pouco tempo sumiram os tais de hackers, Mavs, e outros títulos esquizoides fabricados ou transportados do inglês, ou ainda, petralhas, (ligado ao partido dos trabalhadores) e seus asseclas? Sim, por quê?
                                           Primeiro estes eram dirigidos.. Sim tais quais autômatos para fazerem isso... Ou eram pago. Aos poucos foram descobertos e a rede ficou limpa. E ficou por isso mesmo? Não.
Muito pelo contrário, tem os de outras “áreas”, partidecos, ideologistazinhos de quinta categoria, “paus mandados”, outros ainda pagos que continua na rede. Fingem-se de algo que não são. Primeiro as fotos, sim os “retratos” ou imagens escolhidas para satisfazerem seus egos ou tentarem “enganar” os outros são denunciados por suas frases. Ou escrevem trocando o gênero (foto feminina com frases masculinas) e vice-versa.
                                             Basta conhecer um pouco da linguagem de nossa amada Língua Portuguesa Brasilesa que você identifica os seres. Tem os outros que parecem “igrejas” querem um numero sem fim de “seguidores”... Nem eles sabem para que... Uma espécie síndrome do colecionador de lixo. Na psicologia chama-se síndrome de Diógenes ou ainda síndrome da miséria senil (pobre do filósofo que emprestou o nome a isso).
                                Outros são os repetidores. O que você postar, imediatamente repostam... Não importa o quê.. Não precisam saber ou interpretar.. Eles simplesmente vão na “carona”. Outros são os metidos a conhecedores. A maior quantidade. Tem especialista em todas as áreas. Desde os legais até os de investigação. Nas operações dos últimos tempos de nossa gloriosa Policia Federal, tinha gente que parecia ser da própria PF, de tanta postagem fajuta.
                                 Tem os que gostam de postar tudo o que se refere a pessoas ricas ou artistas. Uma espécie de cópia barata da não menos barata revista Caras. Sim postagens de ricos para pobres (de cérebro e espirito). Literalmente. Rico não assina esta revista. Comumente encontrada em salas de médicos e dentistas. E todo mundo passa os olhos.
                               Qual a diferença então para a vida real? Nenhuma. Só que no mundo digital os seres se tornam um pouco mais “corajosos”, e podem dizer uma infinidade de coisas, até mesmo na rede da síntese, que é o Twitter: Ou seja sua ideia precisa estar literalmente em 140 caracteres. Senão... Ninguém entende.
                             Tem os desconfiados: Eles querem saber sempre a fonte. Do tipo: De onde você tirou isso? Se você der qualquer endereço lá vai o ser postar com aquele endereço... Não confere? Não. Simplesmente vai no “embalo”...
                             Tem os donos do “campinho” igual quando se jogava bola, quando criança... Quem mandava era quem tinha uma bola. Nas redes é mais ou menos assim.
                            No fundo, pessoas reais postando suas realidades ou o que lhes vai ao coração e na alma são pouquíssimas. Estas logo são identificadas por suas frases. Basta puxar um “papo” e você descobre em poucas linhas que tipo de ser está do outro lado.
O engraçado é quando se faz do gênero feminino e coloca as frases no masculino. O contrário também tem.
                             E tem os pagos. De qualquer área. Principalmente os ligados a ”partidos políticos” estes sempre tem um argumento –geralmente os mesmos- se você tentar argumentar eles repetem... E repetem... Ou então se calam e somem. E como falam bobagem. Aliás, só falam asneiras. E os metidos a “historiadores”? Sabem.... Nada.. Absolutamente nada. Tenho dúvida se já abriram, alguma vez, um livro de história... Ah, pobres seres...
                           E os campeões: Os especialistas em “política”. Nos últimos 12 anos houve uma transformação no brasilês: De “técnicos” de futebol para “especialistas em análises políticas”. Todos sabem tudo. Todos opinam sobre tudo. Todos sabem.... Exatamente nada.
                           Falam em “partidos” como se fossem times de futebol. Esquecem que temos apenas agremiações políticas. As palavras e a letra da lei, na prática são diferençadas. E quando você tenta novos argumentos... Lá vem o “mundo do faz de conta”. É uma enormidade,  uma quantidade tão grande de “analistas” que deixam até os verdadeiros especialistas “corados”. Obviamente, como em tudo no Brasil, alfabetos funcionais sendo vomitântico. Apenas isso.
                           O grande poeta português (sim de Portugal) Fernando Pessoa – utilizado na citação inicial – e que tinha como um dos heterônimos de Álvaro de Campos-, na maioria das vezes muda até a nacionalidade chamando-o de Brasilês.
                            Este no poema Em Linha Reta, utilizando o heterônimo acima, em suas primeiras frases deixou escrito:
“... Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo....!”
                            Penso que o grande escritor e poeta lusitano tinha razão. E olha que em seu tempo não havia a tal rede mundial de computadores.
Mas, como disse ao meu amigo, eis a vida real. Sim a vida digital é exatamente uma cópia – só que mais rápida – do que realmente somos.
                          Por isso utilizo, quase no final de seu grande poema, o referido poeta lusitano quando deixou dito:
“...Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...!”
                      Pobres seres e suas cabecinhas pequenas... Em seus mundinhos não menos pequenos e vazios e as necessidades de preenchê-los com “qualquer coisa”.
Apenas o resultado de nossa instrução escolar e cultural de um pobre e lindo (e não menos surrado) Brasil.
Enquanto isso todo mundo continua fazendo de conta que...
Pensar não dói... Já para quem utiliza as tais de redes sociais...
Bem... Deixo para suas impressões...

  

Entendimentos &Compreensões
Das hipocrisias e mediocridades das Redes Sociais
Pensamentos & Leituras da Madrugada,



Nota do Autor
Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 418.