quarta-feira, 25 de junho de 2014


Valéria Fernandes
De Goiânia é a Convidada
da Sala de Protheus:

"Eleições 2014!"     
- Muda Brasil-


"...Inquietude e descontentamento são as primeiras necessidades do progresso...!"
Thomas A. Edison

            
Nós, os 141.824.607  de brasileiros (aptos a votar segundo o TSE), estamos caminhando rumo às urnas, para um momento decisivo  para toda nossa nação através da escolha dos governantes que irão estabelecer regras, normas, leis para nossas vidas e administrar os impostos ou taxas, pagos por cada brasileiro.  A avaliação do eleitor  precisa ser de forma precisa e buscando a maior certeza possível na escolha do  candidato analisando, criteriosamente, não só o currículo como a vida do candidato.
Por exemplo:
Como a grande maioria já está na vida pública e/ou na politica verificar se responde algum processo de improbidade administrativa, (é o ato ilegal ou contrário aos princípios básicos da Administração Pública, cometido por agente público durante o exercício de função pública ou decorrente desta), se – como parlamentar – têm presença assídua nas sessões, principalmente em votação de projetos (Importantes e emergenciais) quantos projetos e qual a importância, foram feitos durante seu mandato.
Analisar também projetos que foram feitos em favor ou não da população ou apenas para seu próprio benefício. Se fez parte, direta ou indiretamente de algum tipo de "associação criminosa" por desvio de verbas públicas ou tráfico de influências (consiste na prática ilegal de uma pessoa se aproveitar da sua posição privilegiada dentro de uma empresa ou entidade, ou das suas conexões com pessoas em posição de autoridade, para obter favores ou benefícios para terceiros, geralmente em troca de favores ou pagamento).
 Um projeto que era muito esperado e servia aos anseios de grande parte da sociedade, na atualidade, foi a "Redução da Maioridade Penal" (seria que a justiça poderia punir menores de 18 anos) que não foi aprovado no Congresso Nacional. Além disso, verificar nomes dos Deputados Federais e Senadores, que votaram contra e por quê.
Identificar de uma forma ou outra os candidatos que “compram” votos oferecendo quaisquer tipos benefícios em troca, sejam materiais ou monetários. Estes devem ser banidos das urnas, pois denota a falta de comprometimento com o cidadão e toda a sociedade.
 Candidatos que prometem projetos demagógicos (Discurso ou ação que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político) ou utilizam palavras “mágicas” (tudo podem e tudo é possível... Bastando votar neles).
  Os projetos devem ser analisados pelos eleitores, se terão fundamentos e podem realmente serem executados. Será de suma importância assistir todos os debates, avaliando as propostas de cada candidato e posteriormente cobrar.
Verifique a veracidade dos "Marketólogos" (termo pejorativo no Brasil para definir coordenadores de campanha que fazem ou conduzem o discurso ou a imagem do candidato) responsáveis de cada candidato se são condizentes com a realidade ou apenas “propagandas enganosas” (Ela é aquela que dá informações falsas sobre as características, quantidade, origem, preço ou propriedade do produto ou serviço para convencer o consumidor a adquiri-lo. (art. 37 do Código de Defesa do Consumidor).
Avaliar a vida do candidato antes e depois que chegou ao poder. Aqueles que chegaram pobres e ficaram milionários as nossas custas, devem ser “banidos” através das urnas.
Verifico hoje, como cidadã, a desmotivação do eleitor brasileiro em relação ao "Cenário Político Nacional". O quanto está difícil escolhermos um bom candidato.
Será que, mais uma vez, vamos ter de escolher o menos “pior”?

            Mais quatro anos se não escolhermos o menos “pior” pode ser tarde para mudarmos os rumos do nosso País.
As redes sociais serão veículos e ferramentas muito importantes para utilizarmos e manifestar nossas opiniões e críticas.
Desta forma poderemos observar os "pretensos" candidatos que começaram aparecer nas redes somente nessa época.
Vamos, esta na hora de termos nosso Brasil de volta...
E depende de nós... Não de mágica ou milagre.

                                                  

Dos pensamentos e Percepções
De Valéria Fernandes
Consultora Política
Goiânia - Goiás


sábado, 21 de junho de 2014


A Jornalista e Historiadora Gaúcha
Rose Santarém traz suas histórias
para a Sala de Protheus:

  

Para um Velho Marujo!

 
"... Meu corpo é de certo modo um diário. É como os marinheiros faziam, onde toda tatuagem significou algo, um tempo específico em sua vida quando você faz uma marca em você, se você faz isto em você com uma faca ou com um artista de tatuagem profissional...!"
Johnny Depp 



                                            Abrindo um "arquivo" da memória, lembrei-me dele. Assim como a canção de Chico Buarque: ... Ele veio ninguém sabe da onde... Só sei que cheirava, falava e gostava de mar... Por isso não me espantei quando um dia disse que estava desenvolvendo "guelras".  Ri a princípio. O outono no sul traz muita chuva, entendi que era uma metáfora.

                                         Este ser hibrido, meio peixe meio humano, tem uma forma própria de encarar a vida. A lucidez com que trata o efêmero, o levam as raias da loucura. Agarra o instante e convive aos tropeços com o que não é definitivo, ou seja, tudo.

                                       Dele tenho boas lembranças... Há também passagens embaraçosas. Estas, melhor esquecer.  Mas quero lembrar o tom professoral com que me alertava para que me aborrecesse menos. Gastasse menos energia (elétrica), andasse menos de carro, acumulasse menos tarefa, procrastinasse menos e jogasse menos tempo fora. São lições de vida. Algumas só agora estou resgatando.  Era uma forma de dizer que se pode ser feliz com menos. O essencial é que dá colorido á vida.
 
 
                                              Ele possui demônios internos. E em seus conflitos às vezes escolhe... Em outras se recolhe, sempre num  movimento que atrai busca e expulsa o sentido da existência.  Por vezes sua capacidade criativa é tamanha que não cabe em seu metro e oitenta de altura.  Precisa compactar tantos conhecimentos e emoções para que possa guardá-las em seu coração, que tudo compartilha com sua mente.

Outro dia disse ele, enquanto buscava a solução para problemas alheios. Seguidor de Clarice Lispector tem por hábito guardar a sua dor e ir tratar a dos outros: “Às vezes Deus acalma os ventos, noutras, acalma o marinheiro. E quando tudo já foi tentado nos ensina a nadar”.
                                          É o que peço agora a este velho marujo, que tanto aprendeu com Deus e o mar. Que me ensine a nadar... Quero também conhecer os recônditos destas águas e seguir e perseguir este ser mitológico que conhece os segredos dos oceanos e da alma humana. Sempre com uma palavra de conforto e um gesto de compaixão para com quem sempre erra tentando acertar.

Por onde andas lobo do mar...   
Por que mar navega, levando a compreensão, intuição e a percepção, já que uma força não existe sem a outra.
                                             Não pretendo arrancá-lo do anonimato que escolheu para viver. Vou considerar uma transgressão se interpretares meu texto diferente do que pensei originalmente.
 
 
                                             Sei que por mais que tentemos, não conseguimos esticar, comprar ou renegociar o nosso tempo. Tenho pressa.  Sigo então com a expectativa de encontrá-lo.  Sei que mesmo que não venhamos a caminhar para sempre juntos, também nunca conseguiremos nos separar. Nossas almas já se encontraram e estão marcadas, tatuadas, para sempre.
                                         Como diz Sharif Dean em sua belíssima composição  - No more troubles - “estou saindo agora para te encontrar no mar de mel e vinho”... Talvez eu fracasse, mas eu preciso  buscá-lo e confrontá-lo... E assim confrontando a mim mesma.  Desta forma quando o vento soprar as lembranças do passado, já terei esquecido minhas mágoas .

 
                                                                                                  

Das percepções, pensamentos e memórias.
De Rose Santarém – Historiadora e Jornalista
Passo Fundo – RS
 
 

 

 

quarta-feira, 18 de junho de 2014


“Palavras... Jogadas ao Leo!”
 
 
“... Cuidado... Palavras machucam,
e quem as ouve nunca esquece...!
Bárbara Coré

 
                                          Algumas semanas recebi de uma amiga, muito admirada, uma suposta “crônica” de um ser que nem citarei seu nome para não ofender suas inteligências divinas.
                                          Até porque  tenta “escrever” com um pseudônimo tão esquisito que ofenderia os desenhos animados. Mas conservo a fonte, não se preocupem.
Este “ser”, no mínimo deve ter problemas emocionais e seu espírito deve estar passando por agruras das quais, seres mais vividos, já conhecem.
Como é triste a ignorância. O não saber?

Este “ser”... Se for possível chamar assim, começa seus “escrevinhados” exatamente assim:


 

É preciso ser muito calhorda para chamar a velhice de “melhor idade”
                                          Não chorei a morte de José Wilker, nem lastimei. Também não fiquei deprimida, mas sim, serena, porque ele teve a morte dos abençoados: morreu dormindo. Que prêmio! - Claro, por merecimento. 
E se não fosse pouco... Continua este pobre “ser”...

(...) mas hipocrisia não combina comigo. Detesto quem elogia velhice, tecendo mentiras em torno de uma tragédia. A velhice é o maior castigo que cai sobre a humanidade. E a hora de pagar todos os nossos pecados. É preciso ser muito calhorda para chamar a velhice de “melhor idade”.
                               Paro por aqui. Sim. Você, com um mínimo de sensibilidade e coerência, não merecem ler ou ouvir tais despautérios linguísticos que devem ter saído, no mínimo, de um coração amargurado, de uma alma atormentada, de um ser em “desalinho” – como afirmariam os poetas -.
                              Eu, como não sou um poeta teimo em identificar cada palavra na tentativa de fazer uma frase coerente, com sentido...  Mas não encontrei.

“Calhordice” chamar a idade mais avançada, os idosos de “terceira idade”?

 Bem linguisticamente, foi somente uma adjetividade criada no sentido de sermos um pouco mais coerentes com aqueles “heróis” que chegaram lá... Muitos de nós não chegaremos.
                                Por falta de coragem... De atitude... De coração preparado... De espíritos involuidos...  Muitos de nós não alcançaremos a quarta idade... Por escolha de seus espíritos... Por fatalidades... Por coisas que nossa vá filosofia desconhece... Quanto à quinta, sexta, sétima, nona idade?
                                Ah, como são abençoados os que puderam acompanhar tanto tempo tudo o que está acontecendo.

                                   Meu amigo Cleber está felicíssimo. Sua mãe fez 90 anos no dia primeiro de junho. Sua felicidade?  Gigantesca, não somente como filho... Mas com uma “inveja” boa, - se é que ela existe – de estar, de ver, de sentir sua própria mãe chegar a NONA idade... E não somente a terceira;
                                     Quando seres, deste tipo fazem, o que em psicanálise chama-se de “transferência” – sim.  Transferir aos outros suas amarguras, suas tristezas, suas insignificâncias, suas deformidades de visão de mundo... Acabam por nos entristecer.
                                       Em um primeiro momento, generosos que somos... Pensamos... Imediatamente em oferecer ajuda...  Mas eles querem ser ajudados?
No caso desta “escrevinhadora” e suas palavras tristes, amargas, desprovidas de sensibilidade, de caridade, de humanidade... Eu tenho minhas dúvidas,
Certo que muitos fazem suas escolhas e vivem suas vidas por elas. Eis o livre arbítrio.  Mas contaminar a outros por suas inseguranças malévolas?
                                        Não isso soa exatamente isso... Maldade de um coração desprovido de amor próprio... De não saber que seres que nos colocaram neste mundo merecem consideração, respeito, admiração, amor – sobretudo – simplesmente por isso... Nem tenho adjetivos para qualifica-los do que representam por estarem tanto tempo entre nós...

                                       Deixo para este ser, completamente desprovido de bom senso; o que uma amiga muito querida, em seus trinta anos, está passando, com um sofrimento atroz: Sua irmã gêmea, linda, perfeita, amorosa, divinamente angelical está em fase terminal de câncer...



Será que este “anjo” mereceria ler tuas palavras? Ser abarrotado de maldade e em suas malvadezas a tentativa de transferir a outrem?

Existem terapeutas que tratam do seu problema, com facilidade...
Mas, por favor,  faça uma gentileza:
Não utilize a internet para disseminar suas inseguranças e, principalmente, sua pequenez como ser humano.
Harriet Beecher Stowe deixou escrito:

“... As lágrimas mais amargas derramadas sobre os túmulos são pelas palavras que não foram ditas e coisas que não foram feitas...!”

Freud... Tendo defeitos ou não deixou escrito:
Palavras são como fazer amor...
Por favor, ser primitivo... Faça mais amor...
Palavras machucam mais que o açoite...

Mas... Pensar não dói...


 

Entendimentos & Compreensões
Das verificações dos seres na tal de “internet”.
Publicado em:
www.konvenios.com.br/articulistas - Vitória - ES.
www.cadernodeeducacao.com.br - SP
www.pintoresfamosos.com.br- SP
 
 
 

domingo, 15 de junho de 2014


Antônio Figueiredo Continua Suas
Histórias Vividas nos Anos 60
na Sala de Protheus:

 

                     "... Mea Culpa, Mea Culpa...!”


 “...A minha consciência tem milhares de vozes,
cada voz traz-me milhares de histórias,
e de cada história sou o vilão condenado...!"

 Shakespeare

 
                                                  Por nove semanas estivemos aqui falando da Juventude dos Anos 60 – Anos de Chumbo Dourado. Todavia, esta décima crônica não será laudatória ou mesmo justificadora dos muitos desafios e embates a que foi submetida, mas sim para falar da sua omissão, pelo menos de uma grande maioria, quanto à politização de seus filhos, entre os quais me incluo.
                                                  Durante as décadas de 70 e 80 essa mesma geração buscou galgar a pirâmide social e o fez com sucesso, pois como já afirmamos anteriormente veio a se constituir na “primeira classe média trabalhadora” da História do Brasil. A mola propulsora da pujança do desenvolvimento econômico nesses anos de 1965/75 foi à decisão do Governo de partir para um processo de “substituição das importações” e a indústria brasileira passou pelo maior processo de diversificação já conhecido.
                                                   Em 1964 o Governo Castelo Branco implementou o PAEG, (Plano de Ação do Governo) sob o comando da “trinca da Economia”, (Otávio Gouveia de Bulhões, Roberto Campos e Hélio Beltrão) visando basicamente: acelerar investimentos através do Governo Central, debelar a crônica crise cambial e principalmente a inflação, que se aproximava perigosamente da taxa anual de três dígitos e que já vinha sendo o maior “calcanhar de Aquiles” da Economia Brasileira desde o Governo JK.
                                                    Para isso realizou algumas “reformas de base” como a eliminação da “falsa estabilidade emprego” da CLT, mediante a criação do FGTS, um sistema de “poupança forçada”, patrocinado pela classe patronal. Até então o empregado tinha a direito a um salário mensal por ano trabalhado em caso de “demissão sem justa causa”, mas ao atingir 10 anos de trabalho ganhava direito à estabilidade e só poderia ser demitido mediante a uma indenização em dobro dos valores. A grande maioria dos “estáveis dispensados” ficava a ver navios, pois ou as empresas mantinham “longas pendengas judiciais”, ou se “quebradas”, nada sobrava ao trabalhador no processo falimentar.


                                                    Atrelado ao FGTS criou o BNH destinado a construção de moradias populares, (outra reivindicação prioritária face aos constantes conflitos gerados pela Lei do Inquilinato, que chegou a ser uma “bandeira eleitoral e plataforma política”). Iniciou também um forte processo de “nacionalização de companhias estrangeiras” no campo das telecomunicações, (as Teles), de geração e transmissão de energia, (as Eletro) e mineração, (a Vale). Outra medida foi incrementar a indústria siderúrgica, que era o paradigma de “vitalidade econômica” mundialmente nos anos de 1930 a 80.
                                                     Iniciou-se no período um processo vertiginoso de montagem da “infraestrutura” mediante a construção de estradas, hidrelétricas, portos, sistemas de água e saneamento e de indústrias de tecnologia de ponta, como aeronáutica e armamentos, além da de “química fina”, implementadas nas novas refinarias. Obras estas projetadas, construídas e inauguradas somente após sua conclusão e funcionamento e decorridos 50 anos constatamos que praticamente nada mais se fez após isso pela infraestrutura no país.
                                                    A Petrobrás que era uma “conversora de petróleo importado” em gasolina e diesel, graças às baixíssimas reservas e extração em terra firme, avançou sobre a plataforma continental e começaram a serem exploradas as reservas da Bacia de Campos, no início dos anos 70. Foi apenas em 1986 e seguindo o rastro das descobertas peruanas na Amazônia, que se começou a prospectar e a explorar as reservas de gás e petróleo de Urucu no Amazonas e se pensar na autossuficiência de óleo.
 
                                                   O petróleo sempre foi uma questão emblemática pois que nos anos de 1960/61 o técnico americano, Walther K. Link (contratado da Petrobrás) havia afirmado baseado nas prospecções realizadas, que o Brasil não possuía petróleo em “terra firme”, exceto numa pequena faixa amazônica e que concentraria maiores possibilidades no mar. Esse relatório foi interpretado como se Link fosse um “espião americano” e era uma recomendação de “submissão permanente aos interesses imperialistas”. (Seven Sisters).
                                                     O projeto RADAMBRASIL mapeou de 1970 a 1985 todo o espaço físico brasileiro e pela primeira vez teve-se um real conhecimento do potencial biológico e geológico, principalmente da Amazônia brasileira, até hoje muito mal explorada, onde surgiu uma nova província mineral.
                                                     Os Governos Militares, que tinham forte inspiração “nacionalista” nascida no Tenentismo de 1922, pôs em marcha seu plano histórico e com isso arrebatou todas as “bandeiras da esquerda”, mas para isso restringiu liberdades constitucionais, de organização sindical e principalmente ao passar a legislar por decretos, tornou o Congresso Nacional e o Judiciário em “fantoches” do Executivo, para vender ao mundo um “fantasma de Democracia”. Hoje se legisla por Medidas Provisórias e se vão os anéis, mas fica o “mesmo dedo”.
                                                       Nada diferente do que se vê na “moderna China” do Século XXI, um modelo para os anseios da Esquerda Moderna, (que fala de Lenin e Marx) e de alguns muitos “saudosistas” da Direita. Essa sempre foi à receita de desenvolvimento em regimes autoritários e foi com isto que a “corrente nacionalista” aquietou-se e se afastou da “corrente esquerdista”. Somente voltariam a se reunir com as revelações dos “porões da ditadura”.
                                                      Por fim, foi a Reforma Universitária de 1968, (Lei n° 5.540, de 28/11/68), que abriu definitivamente as portas do Terceiro Grau àquela geração.


                                                       Por fim, era essencial que essa Classe média entrasse na “sociedade de consumo” e isso ocorreu dando-lhe acesso a automóveis, (DKW Pracinha, SIMCA Profissional e o Willys Teimoso). Mas efetivamente o modelo que mais marcou o período foi o Fusca com sua versão mais barata, o "Pé de Boi". Isso só foi possível com o alargamento dos prazos de financiamento máximo em até 48 meses, até então inéditos, pois a inflação não o permitia. O mesmo ocorreu com os eletrodomésticos de larga duração, como TV’ s, refrigeradores e fogões.
 
                                                       Outro fator que muito contribuiu foi o empuxo dado à construção civil, que ofertava novos empreendimentos, principalmente apartamentos, em bairros até então não sonhados por essa “pequena burguesia” e os “suburbanos” começaram a invadir os bairros de classe média.
                                                       Com toda essa euforia a “nova classe média” mergulhou nos estudos, nas novas oportunidades de trabalho cada vez melhor remuneradas e no crediário. Algo parecido ao que aconteceu nos anos de 2005 a 2012, que lembrou “muito de longe” o chamado Milagre Brasileiro dos anos 70, quando o PIB crescia 10% ao ano. Aquela era uma verdadeira “classe média emergente”, os chamados “reacionários” de hoje.
 
 
                                                       Essa nova classe começou a demandar uma “nova educação” para seus filhos e graças a já incipiente degradação da “educação pública”, passou a matriculá-los nas “melhores escolas particulares” e com certeza pesou nessa decisão a lembrança das próprias dificuldades passadas e a luta de seus antepassados. Talvez nisso residisse o seu grande erro. Por não desejar que os filhos tivessem a mesma “vida difícil”, deu-lhes “de brinde” a ilusão de que “a vida não é tão dura, quanto parece”.
                                                        O mesmo refletiu-se na conscientização política. Os anos mornos, sob o Regime Militar, e o crescimento social individual tornaram-os egoístas e individualistas, pois ainda que o merecessem, esqueceram-se, em sua grande maioria, de outros “suburbanos” e “periféricos”, que lutavam a mesma luta, só que sob outras condições e muito maior dificuldade. O “gosto de levar vantagem em tudo” do Gerson instalou-se como o “padrão filosófico” nacional.
 
 
                                                       Um vislumbre de atitude cidadã foi dado no Movimento Direto Já, mas uma vez mais o “povo” delegou aos políticos a tarefa exclusivamente sua de “pressionar por mudanças” e mais uma vez a “solução” foi aquela que mais interessava aos “representantes de si mesmos”. E foi assim, que morrendo de medo dos militares, que já haviam “largado o osso”, que aprovamos uma Constituição Cidadã covarde, porque só olhava o passado e se esqueceu do futuro.
                                                      Voltamos ao “pré-natal” político e hoje julgamos Democracia falar mal e vaiar políticos, porém votando nos mesmos homens e mesmos partidos. Somos incapazes de reconhecer os “muitos avanços” acontecidos naqueles tempos e por isso somos incapazes de continuar a “mudar a Nação”, porque somos incapazes de mudar o nosso conformismo, passividade e covardia.
                                                    Continuamos, paradoxalmente, adorando o “bezerro de ouro”, mas esperando o Messias...

 
Das percepções e pesquisas de
Antonio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania