terça-feira, 26 de janeiro de 2016


#SerieSentimentos:

ALMA FERIDA!

A alma está ferida
Há hematomas, cicatrizes e feridas sangrantes
Dolorida ela se encolhe
Silencia
Dobra-se sobre si.
Ela carrega um fardo constante
Fatigada, angustiada.
Iludida por versos delirantes
Pensando ter encontrado
Descanso por algum instante
Agora carrega mais um fardo
E se torna agonizante.


Dos versos de puro delírio
De uma mente doente
As facadas da mentira
A humilhação,
A objetificação,
A nulificação.
A alma é cortada sem culpa
No prazer
De fazer sofrer
A única paixão que um psicopata
Conhece e pode ter.


O cotidiano se faz pesado
A alma não o suporta
O folego não existe mais
E ela treme nas suas dores
Treme tanto que o corpo sente.
E respirar fica difícil
E dormir fica mais fácil,
Momento de esquecimento.
Doí perder uma paixão tão pequena
Filhotinho abandonado
Que veio de encontro aos seus braços.
A dor é tanta
Que se faz muda
Gritos só em sonhos
Uma mudez,
O rosto serio
Silêncios profundos
De dores profundas.


Os olhos no vazio nada contemplam
Porque a dor cegou a alma.
Que prazer há em impingir dor
Numa alma carregada de amor?
Ignorar, ironizar, humilhar?
Não há resposta...
Talvez uma alma decomposta
Eivada de trevas
Não suporte a luz
De uma alma que ama e encanta.
E, sua tarefa maligna
Seja tentar transformar
A alma que ama
Tao decomposta quanto a sua
Injetando nela seu veneno

Sua doença, sua morte em vida.
Mas, ferida, cansada, muda de dor
A alma se recusa a deixar-se decompor
Faz da dor que a transpassa
Fonte de Graça,

Faz poemas com palavras doridas
Faz silencio onde ouve a brisa
Suave da voz de Deus.
E devagar, ainda muda, sem verter lágrimas
Vai sarando as feridas
Fortalecendo
Amadurecendo
Carregando os fardos da vida
Sem deixar mais que lhe
Esfaqueiem o sentimento
Dando fim a tortura a que foi submetida
Fechando a porta para sempre
Para a alma morta e apodrecida
que lhe causou dores
da sua mente pervertida!




Entendimentos & Compreensões de
Candida Maria Ferreira da Silva
Assistente Social, Teóloga, Especialista em Infância
 e Violência Domestica pela USP. - Rio de Janeiro – RJ -
Candida é autora do Diário
blogcontosrecontos.blogspot.com.br

Obs.:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
São de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!


 

domingo, 24 de janeiro de 2016


Alienação - Tempos Modernos!

"...O pior dos males para qualquer país
é a alienação das grandes massas pelo planejado passivo do desenvolvimento
 da capacidade de perceber e compreender...!"

                                                                                                                     Kooppe

Quem nunca assistiu ao filme "Tempos Modernos" de Charles Chaplin? Este filme mostrava explicitamente o trabalho em sua forma de alienação. O indivíduo trabalhava em uma fábrica de peças e fazia sempre a mesma coisa: apertava roscas. Mas não sabia para quê? Qual era a finalidade daquilo? Ele era um escravo do trabalho. Não havia uma finalidade para o que fazia, a não ser receber o salário no final do mês. Logicamente o exemplo é de um filme, que não foge à realidade dos dias atuais.
A alienação afeta milhões de trabalhadores nas sociedades capitalistas, onde a produção econômica transformou-se no objetivo do homem, em vez de o ser o homem o objetivo da produção. Esse processo acentuou-se no século XIX, quando o trabalho na maioria das indústrias começou a tornar-se cada vez mais rotineiro.


 Como exemplifica Adam Smith (1723-1790), na fabricação de alfinetes, um operário puxava o arame, outro o endireitava, um terceiro o cortava, um quarto afiava, um quinto o esmerilava na outra extremidade para a colocação da cabeça, um sexto colocava a cabeça e um sétimo dava o polimento final.
Os novos métodos trouxeram como principal consequência de que a fragmentação do trabalho conduz a uma também fragmentação do saber, pois o trabalhador perde a noção do processo produtivo, não conhecendo o resultado de seu trabalho. A desgastante situação de rotina e insatisfação acaba com o envolvimento afetivo e intelectual que o trabalhador teria com seu trabalho e colegas, e essa relação vai se tornando fria, monótona, apática e até tristonha.
Seja na indústria ou em qualquer outro ramo trabalhista, o ser humano não desfruta dos benefícios amplos da satisfação do seu trabalho. Ele afasta de sua real natureza, torna-se estranho a si mesmo, pois os objetos, trabalho que produz passam a adquirir existência independente do seu poder e seus interesses. Encontrando-se alienado do produto final de seu trabalho, o indivíduo, vai ficando despersonalizado e alienando, sem conhecer o princípio, o meio e o fim de sua produtividade.
Capaz de ameaçar o trabalho e a consciência humana desde seus primórdios, a alienação afeta principalmente o homem do mundo moderno, em que as relações sociais.
 
Todo e qualquer trabalho alienado é a condição psicossociologica de perda de identidade individual ou coletiva da falta de autonomia do que executa e passa a sofrer de um sentimento de privação de algo que lhe é próprio, que lhe dá prazer em realizar. Não há dinâmica, aprimoramento em sua função.
Em psicologia e psiquiatria, fala-se de alienação para designar o estado mental da pessoa cuja ligação com o mundo circundante está enfraquecida. Em antropologia, a alienação é o estado de um povo forçado a abandonar seus valores culturais para assumir os do colonizador. Em filosofia política, fala-se de alienação para designar a condição do trabalhador que, à semelhança de uma peça de engrenagem, integra a estrutura de uma unidade de produção sem ter nenhum poder de decisão.
 

Nada mais nos dá tamanha visão de inutilidade quando realizamos aquilo que não nos satisfaz. Este tipo de trabalho rompe a ligação entre o homem e a sua atividade vital. Não é capaz de ter prazer sequer de olhar para trás ou de vislumbrar o gosto de mencionar onde trabalha e qual a sua função.
Todos os trabalhadores que exerce este tipo de trabalho declaram em coro que não há prazer ao ter que acordar e se dirigir ao local de trabalho. Não possuem vontade de sequer passar perto de onde trabalha em dias de folga. E, até mesmo depois de não mais estar ali trabalhando, não gostam de passar pelos mesmos caminhos; tem pesadelos, sofrem com as lembranças, sente estranho mal estar, tremores, a musculatura é contraída, aquecimento facial, vontade de chorar dentre outros sintomas, caso não tenha passado por um tratamento definitivo.
Enfim, o trabalho alienado existe e veio para ficar, tanto é que divãs de consultórios estão sempre lotados!


  

Marilene Marques, mineira, Aposentada
Trabalhando com Voluntariado Social
Região do Vale do Aço - MG
Fontes:
Trabalhando Com A Inteligência Emocional - Goleman, Daniel
Inteligência Emocional no Trabalho- D. Weisinger, Hendrie


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O Editor!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

#Serie REFORME SEU POLÍTICO:
  A Política Possível e Necessária!
O Partido

“... Todas as grandes coisas são simples.
E muitas podem ser Expressas numa só palavra:
liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança.!”
                                                                                                    Sir Winston Churchill

 Sempre tive como concepção filosófica, que um partido político deva se organizar sob conceitos comuns coletivos, expressos de tal forma que enfeixe até o limite máximo da flexibilidade um conjunto de ideias e opiniões dessa coletividade. Isso significa que independente de um matiz mais rosa e/ou azul de um determinado conceito, por expressar o mesmo princípio básico, é uma simples parte criativa particular desses mesmos conceitos.
É evidente, que um partido para evoluir, crescer e se ajustar aos tempos permanentemente, tem que ser um caldeirão de ideias e discussões tal, que esteja com seus princípios constantemente aerados e que com isso se torne receptivo a novos quadros de novas gerações, de tal modo que sua composição admita que, ainda que hajam diferentes modos de se enxergar o objetivo final, que é a máxima filosófica partidária, estes sejam apenas atalhos e/ou vias abreviadoras, que de forma alguma alteram a vocação ideológica desse partido
.

Lembro aqui, que são as “pedras de moinho” que fazem do grão de trigo bruto, desde a farinha mais grosseira e rústica até a “flor da farinha”. Tudo isso vai depender da experiência e sabedoria do moleiro e da idade das pedras desse moinho. Com certeza, até que as pedras novas se ajustem, há de se comer ou farinha muito grossa, ou farinha fina ainda misturada de pó de pedra. Ajustadas e aplanadas as faces das pedras será da escolha do moleiro a qualidade da farinha produzida, mas que, todavia, será sempre produzida pela trituração dos grãos de trigo.
Em muitos países do mundo um determinado partido político, (um partido social democrata ou um partido socialista, por exemplo), graças à força dos princípios partidários consolidados, congrega membros em seus quadros desde ideias da esquerda moderada até as da direita moderada, que não são conflitantes em absoluto, mas que guardam tão somente visões particulares quanto a um detalhe sem, contudo, comprometer a ideia mestra.
“Partidos de visão única”, que expressam uma ideia dogmática e métodos rígidos únicos de um líder ou de uma cúpula, a História tem mostrado claramente, que são organizações, que em muito se aproximam de “verdadeiras religiões” e geralmente são impregnadas de excessivo culto à personalidade e por isso de fanatismo político.

Um verdadeiro partido político representa um ideal que está na cabeça dos cidadãos de uma nação independente da região, grau de desenvolvimento, composição étnica e de opinião religiosa e que a rigor são princípios arraigados por toda a cidadania. Ou seja, é um fator aglutinante de muitas diferenças, que se unem muitas vezes em torno de um “princípio básico” formador da consciência política dessa parte da sociedade.
É uma concepção empírica com toda a certeza, mas é o empirismo que une os diferentes, visto que a associação através das realidades pulveriza a visão política e tão somente faz aumentar a divisão. Como diz o ditado baiano: “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
O que identifica uma Democracia sólida é a existência de partidos perenes, que ainda que criados muitos anos atrás baseados na concepção de seus membros fundadores, eles não representavam uma meta de ascensão e realização política exclusiva do grupo, mas principalmente o desejo de uma grande parcela da sociedade, que desejava se fazer representar nas suas crenças democráticas.
Já no Brasil de hoje, nenhum dos partidos tem mais de 30 anos de protagonismo político real encimados por um ideal partidário permanente. Alguém pode falar do PTB de Getúlio Vargas presente até hoje no cenário político, mas que desde que Getúlio morreu o partido é um “fantasma” do seu criador e dele mal se pode ver qualquer referência e protagonismo.


Esse tem sido o destino de todos os partidos políticos brasileiros. Mortos seus líderes criadores, simplesmente se apequenam até sua extinção. Alguém vê futuro em um PSDB sem a figura de Fernando Henrique Cardoso, ou o PT sem Luiz Inácio Lula da Silva?
Infelizmente estamos condenados à falta de educação política e real militância, porque os partidos se assemelham ao que acontece nas Igrejas Evangélicas, onde nascem novas seitas todos os dias por força da palavra de um pastor que promete a felicidade eterna graças a um novo “marketing religioso”. O Mestre lá no céu deve ficar atônito de como a sua mensagem que era tão simples na essência, pode na boca alheia ser tão distorcida e “vendida”.
Funda-se uma nova religião todo o dia, meramente pela discussão do tamanho dos pregos, que o crucifixaram. E é nesses “pregos políticos”, que estamos pendurados, sem qualquer chance de ressureição.


O novo fenômeno atual é o de fundar partidos mediante a adesão de filiados via Internet em suas redes sociais. Tanto quanto os partidos fundados por líderes carismáticos ou de grande interesse político esses também serão fadados à vida breve, pois em seu nascedouro mais uma vez as pessoas não olharam mutuamente nos olhos e por isso a frieza da adesão eletrônica não será capaz de manter unidas gentes e ideais.
A fundação de novos partidos e a reafirmação dos existentes deveria exigir que os mesmos tivessem obrigatoriamente na sua estrutura uma área atuante e não de “simples fachada” de “educação política”, voltada à discussão ideológica e programática de seus objetivos, afim de atrair e formar novos membros. Se o político não for educado politicamente, o que esperar da política? Se “sangue novo” não é adicionado, como renovar politicamente um partido e criar novas lideranças. É dessa doença que tem morrido permanentemente os partidos no Brasil e é disso que morrerão os atualmente existentes.




                                                         Das Percepções de um Brasil Atual do
                                                                                     Escritor e Articulista
                                                        Antônio Figueiredo – São Paulo – SP –



 
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