domingo, 23 de março de 2014


"PERFIL DE UM PICARETA DE LUXO"

 


“... Todos os caracteres nobres não adquirem,
sem doloroso aprendizado, a desconsoladora
ciência que se chama ceticismo. Cada ilusão
que se desvanece é um golpe fundo no mais
sensível da alma, e os conflitos da vida social
deixam feridas que só lentamente cicatrizam...!”

 Júlio Dinis

  
É interessante, aliás, muitíssimo interessante, verificar as ambiguidades da vida, principalmente, aquelas relacionadas a indivíduos, ou quem sabe pode-se ter a pretensão de chamá-los de subespécies, das quais geralmente patrocinamos, para que estejam no meio social, no nosso convívio. Muitas vezes parece que os povos necessitam destes "tipos" escorregadios, covardes e consequentemente “diferentes”, para que "todos" possam ser considerados "normais".

Até por que, o grande Aristóteles, tem uma maneira eficaz de colocar a ambiguidade; diz ele: "Muitas vezes a ambigüidade também se insinua sem ser notado nas próprias definições, motivo pelo qual cumpre também examinar estas". Diz ele mais: "Que é de índole manifestar que espécie de estado social prevalece".

Mas vejam todos como é fácil definir um perfil para o picareta de luxo, ou comumente chamado de “ladrão de casaca”: ele aos poucos vai infiltrando-se entre os "homens de bem", entre aqueles da chamada classe privilegiada, entre os de maiores posses. Consegue-lhe a amizade, a penetração em seus meios, e até no de muitas famílias.

Usa a sua própria família, para mostrar a dignidade que todos os "Homens de bem" tem, ou pretendem ter. Frequenta os lugares onde estas classes frequentam. Faz os filhos participarem dos grandes acontecimentos sociais, se conseguir, ainda, manda seus filhos, junto aos outros filhos, de preferência de nobres famílias para viagens ao exterior. Afinal, isto gera “status”, gera "coluna social", que por sua vez gera publicidade gratuita. Ajuda a autopromoção, quase que sempre planejada.

Mora nos melhores bairros, em boas residências. Adquire casas de lazer, onde esta "elite" frequenta. Patrocinam festas, e refeições, geralmente, regadas a lagosta e bons vinhos, de preferência importados. Tudo no melhor "finesse".

Andam de carro do ano, de preferência os mais caros, geralmente importado. Afinal, além do “status-quo”, melhora a acepção da imagem, já programada, entre estas classes sociais.

Geralmente é “especialista” - ou faz parecer como tal - em  uma área específica, pode  ser a agricultura, pode ser serviços, ou distribuição de bens. Frequenta clubes sociais e de serviços, e de preferência todas as entidades que os "amigos" frequentam. Vai à igreja ou templo, como todo "bom cristão", deixa gordas "contribuições" na caixinha, recebendo as bênçãos dos céus por tanta generosidade.

Os filhos frequentam os melhores colégios, de preferência, os particulares, aqueles bem caros, isto, ainda, gera “status”, principalmente no interior. Vez por outra até participa de reuniões de Pais e Mestres, mostrando um interesse fora do comum por tudo.

Pronto. Esta feito. Esta construída uma imagem intocável. Foi considerado um projeto de imagem muitíssimo bem articulado, vendido e comprado, por "quase" todos. Suas opiniões, nunca são contra ninguém. Somente esta contra o governo, se seus "amigos" estiverem.

Somente fala de algum grande político, baixinho, isto se alguém de seus "amigos" estiver muito bravo com a administração, caso contrario, considera como tudo, o melhor que se tem.

Fica, às vezes, dias trancado em casa lendo "Maquiavelli, Gramsci”, ou ainda vendo filmes no vídeo, do tipo como: "Como enganar alguém em 24 horas", mas nunca, sem antes, publicar, e avisar todo mundo que esteve 2 ou 3 dias "à negócios" em São Paulo, Brasília, Nova Iorque ou Londres. E todo mundo acredita, não sem antes tecer-lhes créditos, imensuráveis, sobre sua grande conduta.

Torna-se, portanto, a pessoa do meio social, inatacável, um exemplo de indivíduo que todos deveriam ser. Exemplo de onde um homem pode chegar, para que todos fiquem contentes ao máximo.



Até porque como afirmava Maquiavelli: “... São tão simples os homens e obedecem às necessidades presentes, que quem engana encontrará sempre alguém que deixa enganar...!”

Depois de tudo isso, dá um bom golpe, de preferência em dólares, e, bem, some.
Isto mesmo, simplesmente some.
Tchau... Adeus... Ou como, obviamente, preferirem.

Como eles são óbvios, não é mesmo?

A proposito: Conhece alguém assim próximo de você?

Pensar não dói... Já ser enganado, ludibriado.......


Dos Entendimentos & Compreensões

Observações do Cotidiano Brasilês
Publicado no sitio do Grupo Kasal - Vitória - ES -
www.konvenios.com.br/articulistas
Jornais do RS,SC e PR.