terça-feira, 2 de fevereiro de 2016



O Federalismo!

"... A verdade é filha do tempo,
                         e não da autoridade...!"

                                                                                                          Francis Bacon

Ainda que o livro REFORME SEU POLÍTICO – VOTO DISTRITAL não se proponha a discutir o Regime Federativo e a sua necessária revisão estrutural no Brasil, nenhuma Reforma Política terá sucesso, se não for implementada, em paralelo, a real adoção de um Sistema Federativo genuíno.
 Um Regime Federativo Puro implica na reunião de Estados Livres e Autônomos, que se dispõe a se federar espontaneamente para somar recursos, competências e um objetivo nacional, permanente comum, contratado sob uma Constituição Soberana e ajustado às suas tradições, usos e costumes.


Tomemos como exemplo os Estados Unidos e suas 13 Colônias Americanas em 1776, que desde então cada Estado legisla livremente sobre aborto, descriminalização das drogas, jogo, pena de morte, tributação e outras matérias, que são da competência estadual, inclusive um Imposto de Renda Estadual, como se fosse uma “nação particular” e com direito a ter até a sua Suprema Corte Estadual.
Cabe à Constituição da Federação Americana cuidar do equilíbrio do “pacto federativo” em seus pontos de interesse coletivo próprios da União como um todo, além de toda a matéria que extrapole e se intrinque nas fronteiras da jurisdição estadual. Assim a Segurança Nacional e crimes correlatos, o Controle de Alimentos, Saúde, Aviação Civil, Tráfico de Drogas e outras matérias de abrangência coletiva são tratados federalmente.


Não há como um membro federado comprometer-se perante seus cidadãos, se não tiver autonomia econômica e jurídica relativamente ao seu território.
Pois bem, o Brasil que emergiu do 15 de novembro de 1889, foram os Estados Unidos do Brasil, uma república federalista “imposta” e palidamente assemelhada aos USA a partir da sua proclamação, mas sem que os aspectos da efetiva definição das obrigações do ente federado e tampouco as do Poder Central ficassem claras e firmemente estabelecidas.
Foi em especial na liberdade econômica, que o estrago foi maior, pois a independência de legislar sobre impostos foi sendo castrada gradativamente e monopolizada pela União, que hoje arrecada cerca de 60% (sessenta por cento) da carga tributária nacional.
Não por outro motivo é que gradativamente a Educação e a Saúde tornaram-se programas suportados por verbas federais, ainda que as “políticas” sejam estaduais e até municipais.


Hoje os Estados e Municípios estão sujeitos ao “moderno beija mão” em Brasília, esmolando recursos, que são arrecadados em seus territórios, mas que não lhes pertence. É a “derrama” moderna, muito maior do que a de 20%, que provocou a Inconfidência Mineira. 
Hoje temos a chaga da Segurança Pública aumentando em todos os Estados da Federação, escavada principalmente pelo “crime organizado”, (nos USA é da competência federal exclusiva), tornando nossos Estados incompetentes até para a manutenção básica da lei e da ordem dentro do seu território.
Ainda que o sistema prisional esteja superpovoado, principalmente de condenados por crimes, cujo trato seria da responsabilidade da Federação, a responsabilidade e o ônus social maior, tem caído sobre os Estados e seus habitantes.


Como afirmamos acima, se um Estado Federado não tiver a autonomia econômica e jurídica, toda e qualquer ação política perderá a aplicabilidade e eficácia e muito menos dignidade terá se for pobre em recursos, pois assim dependerá mais ainda da “caridade federal”.
Uma das razões das “guerras fiscais”, entre os Estados e principalmente do “sentido de unidade nacional” quebrado, que acirra bairrismos e discriminação, baseia-se no nosso “sistema federativo imperial”, que não respeita e não permite que cada membro se faça respeitar por sua história e contribuição à história da nacionalidade.
O tema da “secessão da unidade nacional”, é recorrente após cada eleição, ou até mesmo de um presumível beneficiamento de um membro federado em detrimento do interesse de outros, como uma forma de que “novas federações”
conseguiriam corrigir as divergências políticas.

A “vocação colonialista brasileira” é nascida da influência e nos tempos e exemplos do Brasil Colônia e infelizmente nas mudanças de “status” para Reino Unido, Império e finalmente República e não conseguiu evoluir para o estágio de uma “nação livre e soberana federada”. Ainda hoje prevalece um “colonialismo interno” de estados mais ricos impondo sua vontade sobre os mais pobres.
Mas esse comportamento nada mais é que “fraqueza, impotência e incompetência” na criação da riqueza e a impossibilidade de governa-la. Dos mais ricos tira-se muito e dos mais pobres o “pouco” que têm.
“Dê doutor, uma esmola a um pobre de ação, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”... 


                                               Das Percepções & Pensamentos Partilhados
                                                  Antônio Figueiredo - Escritor & Cronista –
                                                                      Baseado em livro – Inédito – 
                                                                                         São Paulo – SP -

Obs.:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
São de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!

domingo, 31 de janeiro de 2016


#SOSEducacao:

 A Tragédia da Educação na Pátria Educadora!
 "... É no problema da educação que assenta o
grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade...!"

                                                                                                                   Immanuel Kant

 
O ensino superior é tratado como uma imensa salada de frutas, ficando pouco claro de que maneira se fará a defesa da qualidade do ensino.
A presidente, Dilma Rousseff, sancionou uma lei verdadeiramente criminosa aprovada pelo Congresso: a reserva de 50% das vagas das universidades federais para alunos egressos da escola pública, segundo a cor da pele dos estudantes. Pesquisa recente demonstra que nada menos de 14% dos universitários brasileiros são semialfabetizados, e escandalosos 48% não são plenamente alfabetizados.
É a tragédia da escola pública fundamental e média se alastrando célere no terceiro grau. Sancionada a lei, a universidade pública estará condenada a funcionar como curso supletivo, destinado a suprir as deficiências do ensino nas etapas anteriores. Pior: diminuirá enormemente a pressão em favor da melhoria da escola pública. Com esta orientação do Ministro da Educação e da presidente Dilma, fica difícil criar uma consciência da importância da nossa educação, no espírito das novas gerações. Além disso, há o desprezo pelas regras gramaticais e ortográficas, como se houvesse um desejo recôndito de prestigiar a ignorância. Ou seja, ninguém deve dar bola para a gramática e a ortografia.



 A educação brasileira precisa ser urgentemente repensada, no bojo de uma grande reforma social. Mas enquanto as questões mais simples não forem devidamente resolvidas pela “burocracia governamental” parece que continuamos na firme disposição de enfrentar os grandes problemas educacionais através do discurso bonito, inflamado, sem consistência.
Está na hora de mudar isso. A educação é o caminho, antes que o país afunde de vez na ignorância, miséria e violência.


O ENEM é uma fanfarra educacional!


 O Enem representa uma verdadeira contradição. É feito para servir de filtro aos concluintes do ensino médio. Se esses alunos não conseguem êxito no concurso de habilitação, com os conhecimentos amealhados nas escolas, é a prova concreta de que o ensino que lhes foi ministrado era de baixo nível. Ou, como preferem outros, a prova de que o Enem propõe questões que nada têm a ver com o nível do que é ministrado nas escolas regulares, daí a necessidade dos abomináveis "cursinhos". Em seguida, tentou-se vender a ideia de que é uma prova seletiva, um vestibular barato. E ficamos com esse troço que ninguém sabe o que é.
Mas é preciso trocar de modelo por algo que venha efetivamente a funcionar, sendo notável a ideia de valorizar a Educação Básica: o Ensino Médio.


Os exames parcelados, a cada ano, somando resultados para uma avaliação final parece-nos o que de melhor foi sugerido, dividindo com mais inteligência o esforço dos alunos, além de obrigar as escolas a uma distribuição mais adequada da carga de conhecimentos a ser exigida dos que a ela têm acesso.
O MEC estuda a separação de provas para os alunos que querem apenas a certificação do Ensino Médio dos que querem concorrer a uma vaga na universidade. Dos pouco mais de 6 milhões que prestaram provas do Enem, 800 mil tinham objetivo obter o diploma do Ensino Médio. De acordo com o MEC, é que muitos estudantes que, a princípio, querem apenas o diploma de conclusão, depois acabam usando a mesma nota do Enem para acessar o ensino superior, sem precisar de nova prova. O Enem não tem a menor importância: é uma fanfarra educacional !


Não se muda a educação, estabelecendo metas, mas a partir de ins­tituições. Não há milagre.
Pode pensar... Não dói!
 


Das Percepções & Entendimentos 
Nelson Valente
Professor Universitário, Jornalista e Escritor.
Santa Catarina – SC –
Arquivos da Sala de Protheus.


Obs.:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
São de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor