domingo, 10 de abril de 2016


#Homenagem:
Meu Amigo...

“...O governo respira por aparelhos...!”

@SandroVaia – Tuiter de 04/03/2016.


                                               Acontecem-nos fatos na vida, que nos provocam um “ensimesmamento” e consequente perplexidade quanto aos designíos divinos. Ganhei há poucos anos um “novo velho amigo”, daqueles que não sabemos o porquê de considera-los como se já o fossem de longuíssima data e convivência, pois a intimidade que rapidamente alcançamos no relacionamento fez parecer que era um daqueles amigos de infância com os bolsos cheios de bolinhas de vidro, figurinhas, pião e fieira.
                                            A identidade de pensamento e opiniões compartilhada em nem tantas conversas fazia parecer que amadurecíamos esses pensamentos e opiniões desde a nossa juventude, pois incrivelmente tivemos início de carreiras profissional muito idêntico e premido basicamente pelas mesmas circunstâncias como muitos jovens da nossa geração. Contudo, essa aproximação ocorreu apenas há 6 anos e através das malhas da rede mundial de computadores. Nós os velhos, correndo para estarmos participantes.
                                             Lia eu todas as sextas-feiras pontualmente seus artigos em um blog de política cheio de admiração por seu texto escorreito e sintético, mas ao mesmo tempo rico, embasado em sua vivência jornalística e sempre satírico e provocativo, mas de uma ironia fina e inteligente. Diz-se que tais escritos são como pérolas, do que discordo, pois, uma mente brilhante e aguda como a do meu amigo jamais teria como berço uma concha. Na verdade, era o domínio elegante da língua e a precisão lógica de uma capacidade crítica de formulação e expressão, que era a tinta que corria em suas veias e braço e por extensão sua pena. O papel simplesmente deleitava-se com as palavras, que ia recebendo.
                                           Foi nessa época que comecei a escrever em um blog associado ao que meu amigo regularmente escrevia, uma série de artigos sobre o Voto Distrital e Parlamentarismo e não me lembro de que em alguma oportunidade ele tivesse comentado. Navegávamos na mesma corrente paralelamente, mas ainda fora do alcance da vista.

Não havíamos nos encontrado, ainda...
                                          Foi no início de 2013, após retornar de uma viagem por alguns países da América Latina, que comecei a escrever uma série de artigos no blog de outra amiga sobre minhas impressões sobre os países visitados, uma análise histórica comparativa dos métodos de ocupação e administração das colônias por portugueses e espanhóis e principalmente sobre o que pensava o “povo da rua” de cada um desses países e seu sentimento em relação ao Brasil.
                                       Lembro-me que numa dessas viagens pelo Twitter divulgando meu trabalho, convidei-o a ler e comentar a primeira das matérias e a partir daí todos os demais artigos. Foi então que consegui seu endereço eletrônico e através de uma mensagem o seu telefone celular. Foi aí que começou a florescer uma amizade muito forte e extremamente integradora entre nossas almas.

                                    Instado a se manifestar sobre as matérias, ele na sua maneira econômica e concisa me disse: “Você explora muito bem os aspectos históricos e geográficos, mas o que é inovador em seu trabalho é colocar “o povo” como protagonista e comentarista das suas impressões”. 
                                 É desnecessário dizer do imenso orgulho e estímulo que representou seu comentário. Afinal ele era meu mestre e padrão, além da demonstração de incentivo da parte de sua alma extremamente generosa.
                               A partir de então comecei a escrever em outro blog e como sempre o convocava a comentar e analisar os conteúdos, que ele simplesmente se recusava a fazer em TL aberta, mas que sempre acabava por acontecer nos frequentes telefonemas que trocávamos.
                             Numa das minhas viagens a São Paulo fiz questão de passar por Jundiaí para tomar um café de longa data combinado e ele gentilmente foi me buscar no hotel e me levou a um jantar memorável e único na sua casa, onde nos aguardava a “incrível” Vera, sua esposa namorada de uma vida. Foi como se encontrassem amigos de toda uma vida.

                            Em 2015 conversamos muito sobre meu projeto de um livro sobre o Voto Distrital e o convidei a comentar seus capítulos com a experiência de uma cátedra jornalística política de décadas. Ele nunca disse sim e nem não, pois já havia entrado em uma rotina de exames e consultas médicas extenuantes.
                           Combinamos então de nos encontrarmos em uma das descidas ao Guarujá, o que incrivelmente nunca coincidiu, mas finalmente o convenci a escrever uma das “orelhas” do meu livro VOTO DISTRITAL – ESTE ME REPRESENTA.

Foram várias as insistências e ele me perguntava: Quanto tempo tenho ainda?
Finalmente, no dia 08/março recebi uma mensagem direta no Twitter:

Sandro Angelo Vaia @SandroVaia
Mandei o texto. Veja o que achou. Médico vai meter bisturi na quinta
                          E na minha caixa de mensagens lá se encontrava, talvez, seu último texto. Um texto de uma generosidade imensa, não só com este seu amigo, mas para com o Brasil, que ele tanto amou:
"O Brasil continua sendo o País do futuro.
É preciso que a crise em que nos debatemos, por mais profunda que pareça, seja transformada numa oportunidade. Só assim ela deixará um legado e será mais profícua do que negativa.
O momento não é de discutir querelas miúdas sobre a próxima eleição, sobre partidos, facções-alianças, jogos de poder, essa política de varejo na qual o País, ao invés de construir sólidos caminhos para o futuro, atola no presente improfícuo e não consegue romper a própria bolha no qual ameaça se asfixiar antes mesmo de descobrir a saída.
Este livro de Antônio Figueiredo oferece, no mínimo, uma sólida pauta para discutir o futuro. Usando uma linguagem extraordinariamente simples e compreensível, o Autor discute um tema aparentemente árido como o voto distrital e consegue fazê-lo com talento e insuspeitado charme.
Usando como ponto de partida o microcosmo de Vila Maria, Antonio Figueiredo universaliza o tema dando-lhe a relevância e a importância que transcende o universo geográfico.
Um livro imperdível para quem quer levar o futuro do Brasil a sério."

                                         Ainda falei com ele uma última vez no dia 15/março após a cirurgia e prometi que não o faria rir muito, o que era usual nos nossos papos e quase não o deixei falar para que não se cansasse. Sua voz estava quase sumida, mas naquele timbre conhecido.
                                        Passaram-se outras duas semanas e enfim meu amigo, acredito que muito contrariado por perder o fim da festa, que ele tanto ansiava por participar, suspirou pela última vez, mas com certeza antevendo um amanhã renovado.
                                         Proibi-me de chorar por ele. Seria muito egoísmo da minha parte, pois esse meu amigo sempre foi um universo italiano, sua origem, da alma de cada brasileiro.
Aguarde-me, em breve, meu amigo... Mas não muito breve, espero...

...
 


Homenagem de Antônio Figueiredo 
Cronista e Escritor Paulista ao seu amigo
Jornalista Sandro Vaia. 1944/2016
Arquivos da Sala de Protheus.


 
 Obs..:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
São de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!

sexta-feira, 8 de abril de 2016


#PensarNaoDoi:

O Ardor da Inveja!

“...A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento  que transformam pequenas coisas
em grandiosas, anões em gigantes, indícios
em certezas...!”

Miguel de Cervantes

                                 Reportar um tema como a inveja confronta todo nosso viver e possivelmente muitos dirão – “Eu invejoso (a)? De modo algum!” Será que jamais sentimos inveja? A inveja é um sentimento pecaminoso, danoso e bem escondidinho, pois nunca se ouviu alguém dizer: “Eu sou uma pessoa invejosa”. Confessar-se invejoso, assumir que sente inveja é algo miraculoso.
                               Não seria exagero afirmar que existem pessoas que buscam conquistas, única e exclusivamente, para despertarem o sentimento da inveja. Elas querem ter ou ser para provocarem a pratica da maldade pelos indivíduos que o cercam! A inveja é tão cruel que o rei Salomão deixou-nos provérbios tais como: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?”.
Em uma pesquisa feita recentemente, mostra-nos uma realidade bem diferente:
QUEM ASSUME? 1) 54% dos brasileiros acreditam ser invejados pelos outros, enquanto; 2) 46% admitem sentir inveja. E, as áreas mais invejadas são:

18% Carreira
16% Dinheiro
7% Inteligência
6% Relacionamentos afetivos
3% Beleza
2% Espiritualidade
2% Família
1% Casa/Decoração
.

                                      Derivada do idioma grego (phthónos), que significa emulação e cobiça, tem também o significado de inveja. O termo hebraico “qiná” significa originalmente, uma “queimadura; cor produzida no rosto por uma profunda emoção, ou seja, ardor, zelo, inveja”. 
Do latim “invidia”, Inveja significa: desgosto ou pesar pelo bem estar ou pela felicidade de outrem; desejo de possuir o bem alheio. Literalmente, o termo é assim traduzido: “olhar com intenção maliciosa”. 
Segundo a psicóloga Melanie Klein, a Inveja “é um sentimento que destrói; é um modo inadequado de lidar com a realidade. A pessoa não faz nada e ataca quem faz ou tem alguma coisa. É pura falta de competência”. 
A inveja tem inúmeros outros sentimentos consequentes, como críticas, ofensas, dominação, rejeição, difamação, agressões, rivalidade, vinganças
.

                                              Diante de tantas definições, como então ter um conceito fixo da “Inveja”? A definição que poderíamos usar é: “A inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertados tal sentimento nos invejosos. Geralmente os malsucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada.”. 
                                           Trata-se de um sentimento amargurado e qualificado como terreno, animalesco e demoníaco. Este tipo de inveja surge de pessoas que vivem querendo prevalecer ou fazer seus argumentos serem vitoriosos. Tais pessoas estarão predispostas a serem derrotadas e a sentirem inveja daqueles que as venceram.
                                              A inveja não é necessariamente querer para nós mesmos, mas simplesmente querer que seja tirado do outro. Santo Agostinho associa a inveja com a cobiça, proibida pelo 10º mandamento – “Não cobiçarás a casa do teu próximo...”. As nossas habilidades, talentos, realizações e trabalhos não devem ser produzidos pela inveja, pelo desejo de superar o outro, de ofuscá-lo ou ridicularizá-lo.
Ele mostra diferenças importantes entre o ciúme, cobiça e a inveja:
Ciúme – é o desejo desesperado de manter o que se tem;
Cobiça – é querer o que não tem;
Inveja – é não querer que o outro tenha.
E acrescenta: “A inveja é o desejo manifestado de forma destrutiva, de possuir o que é dos outros.”.


                                       Um dos exemplos mais conhecidos mundo afora é a História de José do Egito e os seus irmãos – O pai Israel amava mais a José dos que a todos os outros filhos, por ser filho de sua amada Raquel. Seus irmãos o odiavam, pois não conseguiam ser justos agradando ao seu pai tal qual José – eles sentiam inveja.
a. Percebe-se que eles não estavam perdendo algo que já tinham, ou seja, uma posição privilegiada (o que seria caracterizado como o ciúme).
b. O que fica claro, é que eles desejavam algo que não possuíam, ou seja, uma posição igual à de José, sem apresentarem mudanças de comportamentos (o que caracteriza a inveja). Neste caso, a inveja gerou o ódio. Tentaram tirar-lhe a vida (matar); vingaram e os fez prender o irmão e vendê-lo a mercadores.
Considerando o exemplo acima como um dos mais apropriados, cuidemos, somos seres humanos capazes de qualquer sentimento e ação como a Inveja que é considerada uma “disposição mental" reprovável, para praticarem cousas inconvenientes. Além de molestar suas vitimas, a inveja causa males àqueles que a sentem. 



Dos Entendimentos & Compreensões de:
Marilene Marques, Contabilista, Aposentada,
Mineira da Vila de Assaraí, Pocrane – MG.
Fontes:
VENTURA, Zuenir. Mal Secreto: Inveja. São Paulo: Editora Objetiva, 1998.
JORDÃO, C., RABELO V. A Inveja desvendada. Revista ISTOÉ, São Paulo: nº 2064, 03 jun 2009.
BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 24.
KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros trabalhos. Rio de Janeiro, RJ: Imago Editora, 1991.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. 5. Ed. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 355, v. 3.
AQUINO, Tomás de. Sobre o ensino. Os sete pecados capitais. 2ed São Paulo: Martins Fontes, 2004.
Arquivos da Sala de Protheus.



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