sábado, 17 de agosto de 2013

“O Homem, sua Alma ou Lenda?”




“... E amanhã não seremos o que fomos...  Nem o que somos...!”

 Ovídio 56 a C em Metamorfose, XV,215-6 



                            Seremos fortes. Muito fortes, porém justos. Faremos da lealdade uma de nossas forças principais, pois dela vem à confiança. E quanto mais confiarmos, mais amaremos. E ao amar nos elevamos. Quanto mais elevados mais próximos estaremos da verdade. Tão ensinada. Tão proferida... E nada praticada. O que aconteceu conosco nestes milhares de anos? O que o homem está fazendo com ele? Benedito Prado, poeta espanhol já afirmou:

"Agora Eu lhes digo,  homem que Eu quis;
 Um homem liberto, fraterno e aberto,
 Fazendo da vida um canto feliz..!”

E prossegue o poeta:

"... Não é este aí o homem que Eu quis...
Que vive oprimido, que anda perdido,
que cai abatido no mundo que Eu fiz...

O ser deve ser valente, mas contra as tiranias. No coração deve haver somente virtudes. Sorrir? Sempre. Chorar? Só se for de alegria. Nunca de dores. Mas o poeta diz mais:

 Será que eu falhei? -Me digam vocês!
 Será que eu pus muita água no mar?
 Será que é o calor do meu sol a queimar?
 Se acaso é assim, perdão eu errei!
Agora eu lhes digo o mundo que eu quis:
As estrelas não brigam o sol não se afasta,
O mar não soçobra na terra que eu fiz.
Agora eu lhes digo à terra que eu quis:
Sem ódio, sem guerra, sem tanta injustiça,
Que ferem meu filho, o homem que eu fiz.
Agora eu lhes digo o homem que eu quis:
Um homem liberto, fraterno e aberto,
Fazendo da vida um canto feliz.
Será que eu falhei, sendo bom demais?
Será que o Amor, a Justiça e a Paz
Não valem mais nada neste mundo meu.
Se acaso é assim, perdão, eu errei!

Nossas forças devem defender os indefesos. Ajudarmos aqueles que se sentirem mais fracos. Ao falarmos deveríamos dizer somente a verdade. Nada mais. Se por acaso fôssemos tomados de ira deveríamos dirigi-la aos déspotas, tiranos, a todos aqueles que se aproveitam dos indefesos.
Não haveria seres cruéis e traiçoeiros. Em nenhum momento. Usaríamos nossa coragem para pedir ajuda se necessitássemos. E não nos esconderíamos atrás das máscaras hipócritas que sustentam a ausência da dignidade que nasceu conosco.

Com isso todos, seriamos bons, justos, verdadeiros, amáveis.
E transmitiríamos isso a todos os que viriam. Aprendemos as juras. Mas, logo proferidas, são esquecidas. Mas na maioria das vezes nos tornamos tolos e  incrédulos de nós mesmos. Não são velhos códigos iniciados nas noites dos tempos. Não. Nasceram conosco. Mas por que nos esquecemos de praticar?

Os dons, os talentos, as características mais iluminadas, estão em nós. É nossa marca principal. Olhamos as estrelas, admirados. De um esplendor magnífico. Tão superior a nós mesmos. Mas somente olhamos. Não buscamos compreensão ou entendimento. Principalmente de nós mesmos. Não precisaríamos temer nem lamentar nada. Muito menos nos iludir.

Apenas compreender que nossas preocupações, temores, lamentos, são criados e podem ser dissipados por nós mesmos.
É nisso que reside nossa alma. Nosso espírito mais puro. Nossa essência mais profunda. Em valores esquecidos. Mas, que estão conosco.
Valor. O homem deve ser valente. Mas não para enfrentar outros seres, somente, mas para ter coragem de se enfrentar.

No coração, só virtude. Defender os indefesos e auxiliar os mais fracos. Só dizer a verdade. E derrotar o que for contra tudo isso com a força mais sincera do próprio coração. Quando entendemos todos os princípios, que fazem parte de nós mesmos, entendemos o amor. E amamos. E o resto não existe. Pois somos como as estrelas. Brilhamos como elas. Quando amamos. Não seriam mais princípios ou lendas. Nem ilusões. Seriamos como nossa alma é. Pura. Elevada.

“... Não é esse aí o homem que Eu fiz...!

 Pensar e amar não pode doer... Nunca!



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –

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